Morte…como explicar às crianças?


Morte. Não existe assunto mais complicado do que esse. O que falar para a criança quando alguém querido morre? Devemos dizer que a pessoa foi viajar ou que está lá no céu? Ou dizemos, simplesmente, que morreu?

 

Como explicar que ela nunca mais vai ver o vovô, o cachorrinho que amava, o amiguinho da escola? Que situação…

Enfim, uma hora ou outra teremos que passar por isso, e o melhor é debater o assunto, né?

Eu passei por isso quando tinha uns seis anos. Minha prima, que era minha vizinha e tinha três anos, morreu vítima de complicações por causa de sarampo. Me lembro perfeitamente do dia em que meus pais me deram a notícia, me lembro de ter visto a minha prima no caixão, me lembro da cerimônia de cremação e da angústia de pensar que NUNCA mais a veria brincando. Não foi fácil.

Tive meses e meses de pesadelos, não conseguia mais dormir no meu quarto sozinha nem brincar onde costumava brincar com ela, não sabia lidar com o sofrimento da minha família. Mesmo assim, meus pais nunca mentiram dizendo que ela tinha se mudado ou coisa parecida. Me disseram a verdade, por mais dolorida que fosse. Por mais que, naquele momento, eu não entendesse direito o que a palavra “morte” representava. Mas será que essa é a maneira certa de se lidar com isso? Será que existe maneira certa?

Agora que tenho duas filhas, ando me preocupando com a maneira de tratar desse e de outros assuntos difíceis. Sempre que posso, converso com algumas psicólogas, com a pedagoga da escola, com a pediatra e com outras mães.

Quero que minhas filhas encarem esse assunto de frente, como tem que ser. Mas de uma maneira que não as traumatize.

Acho que o melhor é que as crianças aprendam a lidar com o ciclo da vida. É uma coisa natural: a gente nasce, cresce, envelhece e morre. Mas e se a criança pergunta para onde a pessoa foi quando morreu? O que responder?

Os profissionais com quem conversei dizem que o melhor é dizer a verdade: a pessoa/bichinho morreu. Mas temos que deixar a criança entender o que aconteceu a maneira dela (a pessoa morreu e virou uma estrela, está no céu, essas coisas…).

Se pra muitos adultos é difícil imaginar para onde vamos e se vamos pra algum lugar depois que morremos, imagine para a criança…
De acordo com os especialistas com quem conversei, crianças até seis anos não devem ir a velórios/enterros. Isso pode causar medo, pesadelo, insegurança. Mas, como costumo dizer aqui,cada criança é única, cabe aos pais decidir se levam ou não.

O importante nesse momento de dor é conversar bastante com o filho. Entender o sofrimento da criança e deixar que ela passe um tempo de luto mesmo. Caso esse tempo fique muito longo, o jeito é apelar para um psicólogo. Ele, com certeza, vai
saber ajudar.

Resumindo: essa é uma das situações mais difíceis de se enfrentar, mas é necessário pensar em como lidar quando acontecer.

Encontrei na revista Crescer uma lista de livros que falam sobre perdas e que podem ajudar nessa missão:

“O Guarda-chuva do Vovô”, de Carolina Moreyra e ilustrações de Odilon Moraes (Editora DCL). Obra vencedora do prêmio FNLIJ nas categorias Criança e Escritor Revelação

“É a Cara da Mãe”, de Roddy Doyle e ilustrações de Freyia Blackwood (Galerinha Record)

“Menina Nina”, de Ziraldo (Editora Melhoramentos)

“Vovó Nana”, de Margaret Wild e ilustrações de Ron Brooks (Brinque-Book)

“A Poltrona Vazia”, de Sandra Saruê e ilustrações de Marcelo Boffa (Editora Melhoramentos)

“O Jogo da Amarelinha”, de Graziela Bozano Hetzel e ilustrações de Elizabeth Teixeira (Editora Manati)

“A Velhinha que Dava Nome às Coisas”, de Cynthia Rilant e ilustrações de Kathryn Brown (Editora Brinque-Book)

“Mas Por quê?! – A História de Elvis, de Peter Schössow (Editora Cosac Naify)

“Era Uma Vez um Reino Sonolento”, de Leo Cunha e Ricardo Benevides, com ilustrações de André Neves (Editora Record)

“A Vida Íntima de Laura”, de Clarice Lispector e ilustrações de Flor Opazo (Editora Rocco)

“O Segredo é não ter Medo”, de Tatiana Belinky e ilustrações de Guto Lacaz (Editora 34)

“Sapato Furado”, de Mario Quintana e ilustrações de André Neves (Editora Global)

 

Por Patrícia Maldonado

Fonte: http://br.mulher.yahoo.com/blogs/mae-salto-alto/morte-como-explicar-%C3%A0s-crian%C3%A7as-202051846.html

 

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