Dieta para a felicidade


Suplementação de ômega-3 no período de gestação e lactação em ratos promove efeitos neurofisiológicos que previnem o desenvolvimento de depressão nos filhotes quando eles se tornam adultos.

Por: Fred Furtado

Dieta para a felicidadeEstudo com ratos mostra que o consumo de fontes ricas em ômega-3 – como o salmão – durante a gestação pode prevenir depressão nos filhotes na vidaadulta. (foto: Michael Kappel/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)

Gestantes e lactantes que consomem salmão e sardinha pelo menos três vezes por semana ou tomam uma cápsula de óleo de peixe uma vez por dia – duas boas fontes de ômega-3 – podem estar prevenindo que seus filhos desenvolvam depressão mais tarde. Por enquanto, isso parece ser verdade para ratos, como mostrado em palestra na27ª Reunião Anual da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada de 22 a 25 de agosto em Águas de Lindoia (SP).

A pesquisa é feitacom ratos machos nascidos de mães que foram suplementadas com uma cápsulade óleo de peixe por dia durante agestação e alactação

Os dados são os resultados mais recentes de um estudo realizado há anos no Laboratório de Neurofisiologia daUniversidade Federal de Paraná (UFPR). Apesquisa é feita com ratos machos nascidos de mães que foram suplementadas com umacápsula de óleo de peixe por dia durante agestação e a lactação. Vinte e um dias depois do nascimento, eles foram separados das mães e ficaram sem suplementação até os 90 dias de idade, quando já são adultos.

Os ratos então passaram por um teste de natação forçada, no qual foram postos em um cilindro com água e seus movimentos – imobilidade, natação ou escalada – foram observados durante cinco minutos. “A imobilidade é considerada um comportamento depressivo, enquanto os outros dois não”, explica a neurofisiologista Anete Curte Ferraz, coordenadora do laboratório. Ela ressalta, no entanto, que esse teste não é considerado um modelo de depressão.

Os ratos machos cujas mães foram suplementadas apresentaram menos comportamento de imobilidade que os de mães não tratadas, nadaram mais que estes e escalaram na mesma proporção. “Isso mostra que o óleo de peixe reduziu o sintomade depressão e que esse efeito está associado à ação do neurotransmissor serotonina, pois já foi mostrado que essa substância media o comportamento de natação nesses casos”, esclarece Ferraz.

No caminho da serotonina

Com base nesses resultados, os pesquisadores realizaram testes adicionais, sempre utilizando a natação forçada como parâmetro de avaliação, para tentar identificar os mecanismos por trás da relação entre o ômega-3 do óleo de peixe e a serotonina.

Eles administraram nos ratos drogas que diminuem a síntese de serotonina, como oparaclorofenilalanina (PCPA), e uma substância que bloqueia o 5HT1A, um dos receptores para esse neurotransmissor. Esse receptor localiza-se em áreas do cérebro relacionadas ao comportamento depressivo e, quando ativado, melhora a terapiaantidepressiva.

“Em ambos os casos, os tratamentos reverteram o efeito do óleo de peixe, mostrando aparticipação do receptor no efeito benéfico do ômega-3”, conta a neurofisiologista.

Teste de natação
Submetidos a um teste de natação forçada, ratos nascidos de mães que receberam suplementação com óleo de peixe durante a gestação tiveram menor frequência de comportamento de imobilidade, associado à depressão. (foto: Ferraz et al)

O grupo resolveu então quantificar a presença de outro neurotransmissor no cérebro dos ratos, o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF, na sigla em inglês), que garante a sobrevivência de neurônios serotoninérgicos, ou seja, as células nervosas que produzem serotonina.

Os testes detectaram um aumento significativo do BDNF no hipocampo e no córtex dos ratos de mães suplementadas, tanto naqueles com 21 dias de idade quanto nos de 90 dias. “Esse dado dá suporte à nossa hipótese sobre o mecanismo por trás do efeito do óleo de peixe, bem como mostra que os ganhos proporcionados para os filhotes pelasuplementação se mantêm na vida adulta”, observa Ferraz.

Com base nos resultados, os pesquisadores sugerem que o ômega-3 esteja induzindoa produção de BDNF, o qual estaria garantindo a sobrevivência, o crescimento e aplasticidade (capacidade de adaptação) dos neurônios serotoninérgicos. O ômega-3 estaria também modulando o receptor 5HT1A e impedindo a degradação da serotoninanos neurônios do hipocampo, o que prolongaria o efeito desse neurotransmissor.

“A conclusão disso é que a suplementação com óleo de peixe durante a gestação e alactação promove um efeito antidepressivo comparável ao do tratamento crônico com drogas comumente usadas para esse fim”, declara a neurofisiologista.

Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/08/dieta-para-a-felicidade/?searchterm=Dieta%20para%20a%20felicidade

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