Atividades em excesso podem atrapalhar desenvolvimento das crianças


Thinkstock
Tem sido cada vez mais comum pais preencherem a vida dos seus filhos com tarefas extracurriculares, como inglês, espanhol, música, balé, futebol, judô, ginástica, entre outras. O objetivo, muitas vezes, é prepará-los para enfrentar o mundo competitivo. No entanto, a medida pode ter efeito negativo, segundo especialistas.

“A preocupação dos pais é desenvolver a parte intelectual dos filhos, para que eles se deem bem na vida. Isso virou uma premissa. Mas a questão exige que a família se informe antes. Há limite de se absorver informações novas, principalmente em crianças”, afirma o Saul Cypel, médico especializado em neurologia infantil. “Quando se propõe isso aos filhos, é preciso balancear, se não vai se gerar ansiedade, stress, fadiga”.

Saul Cypel explica que há atividades adequadas para cada idade e isso também deve ser relevado. “As atividades precisam ser oferecidas pouco a pouco”, diz. Sobre as atividade física, por exemplo, o especialista explica que elas promovem o respeito às regras, o ganhar e perder, a parte física e a socialização, mas é necessários observar também a importância do lazer na prática esportiva, ou melhor, da brincadeira para os pequenos.

O médico avalia que uma criança com excesso de atividades pode adquirir no futuro obesidade e problemas cardiovasculares. “Buscar informação é o melhor caminho. Cuidar do filho exige índole e bom senso, mas não é suficiente”, ressalta. Ele conta, por outro lado, que a área de estudo para esse tipo de problema tem crescido bastante no Brasil.

Ocupação enquanto os pais trabalham
Já a psicanalista e psicoterapeuta infantil Blenda Marcelletti de Oliveira, considera três fatores importantes que movem os pais a inserirem no cotidiano dos filhos muitas atividades além da escolar. O primeiro está relacionado à necessidade de ocupar o tempo livre dos filhos enquanto eles trabalham.

O segundo fator refere-se ao fato de muitos estabelecimentos de ensino do país não oferecerem período integral para os alunos. O terceiro e último tem a ver com a necessidade de formá-los com habilidades que os preparem para o mercado de trabalho.

“Nem sempre as atividades condizem com o gosto da criança e, principalmente, com o ritmo, a natureza e a maneira de ser dela. Muitas crianças produzem uma autoexigência significativa. Com isso, elas desenvolvem um nível de estresse alto que aparece por meio do cansaço, da reclamação da falta de tempo livre e de certa irritabilidade”, conta Blenda de Oliveira. “É importante que a criança tenha tempo de brincar e, pelo menos, um dia livre na agenda”.

De acordo com a psicanalista, é preciso deixar intervalos maiores entre uma atividade e outra e buscar locais perto de casa para evitar que a criança fique por muito tempo transitando. “Tempo livre e boas horas de sono são fundamentais para que as atividades tornem-se divertidas e bem aproveitadas”, destaca.

Necessidade de brincar
A pedagoga Maristela Angotti, pesquisadora na área de educação infantil, acredita que a “busca de perfeição desenfreada dos pais” e a “vaidade de ver os filhos fazendo muito mais em relação aos outros” são uns dos motivos de as crianças de hoje terem muitas atividades deferentes no dia a dia delas.

“Isso, no meu entendimento, revela um total desconhecimento da etapa de vida na qual a criança se encontra. Pensemos em uma criança entre 0 e 12 anos. Ela precisa ter relação positiva com os pais, precisa ter seu tempo, seu espaço em casa e em família, além de elementos que oportunizem o seu brincar, criar, transformar, imaginar, agir, transgredir, representar, contar, movimentar-se, interagir com outros adultos e outras crianças”, discorre.

O excesso de tarefas, de acordo com a acadêmica, faz com que a criança perca um momento significativo e único de sua vida. Maristela Angotti destaca a necessidade de os pais oferecerem aos filhos atividades de seu interesse e não intensificar outras que exijam muito delas. “Os pais não devem desconsiderar ou subestimar, por exemplo, o verdadeiro papel da brincadeira, das atividades lúdicas para o desenvolvimento da criança”, afirma. “Eu não estou dizendo aqui de deixar as crianças horas brincando sozinhas com seus games. Atenção a isso! Falo de interação, de envolvimento, de convivência com esta criança e atenção ao seu momento para promover o seu desenvolvimento sadio e seguro”, finaliza.

Fonte: http://br.mulher.yahoo.com/atividades-em-excesso-podem-atrapalhar-desenvolvimento-das-crian-124600880.html

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s