Cachorro com insuficiência renal crônica – um relato de experiência


Essa semana me deparei com as dúvidas e anseios de uma cuidadora de cachorro, como eu: a Viviane!

A Tutuca, sua cachorrinha, é cardiopata e começou a apresentar insuficiência renal. Que situação difícil!

Então deixa eu contar minha experiência pessoal com meu cachorrinho “Soluço”.

Soluço

Soluço novinho

Em 1996 Soluço nasceu na minha casa, pois sua mãe era nossa cachorrinha também. Ele era pastor alemão, o maior que já vi! Adulto chegou a pesar 64kg, era super amigo, brincalhão e adorava passear todos os dias. Eu cresci com ele, era meu irmão mais novo e um dos grandes motivos para eu me enveredar pela Biologia (adolescente não teria maturidade de fazer veterinária e ser tanquila com todos os tipos de donos e casos , que por ventura tivesse que trabalhar, como maus tratos…).

Em 2008, ele tinha 12 anos de idade e, de uma hora para outra, apresentou caroços pelo corpo. O diagnóstico foi câncer. Como os caroços estavam espalhados já era metástase e cirurgias de retirada não adiantavam mais. Tivemos que mudar sua alimentação e ministrar remédios em momentos de dor.

soluço de frenteSoluço mais velho

Talvez por causa desses remédios fortes ele acabou ficando com insuficiência renal crônica. Meu cachorro brincalhão, que vivia passeando pela casa, que comia bem já não era mais o mesmo. Começou a ficar muito tempo deitado, as pernas e os testículos incharam, com fraqueza nas pernas e dificuldade de se levantar. As vezes urinava e defecava onde estava e quando íamos retirá-lo do lugar rosnava, se tremia. Levá-lo ao veterinário começou a ficar difícil, já que colocá-lo no carro era muito trabalhoso e ele não queria aceitar ajuda para subir.

Foi assim que tivemos que trocar de veterinário e esse ia à nossa casa para a consulta. Lembro-me dele após 3 visitas falando: “Sei que vocês o amam muito, mas ele está sofrendo demais! Até que ponto é melhor ficar com ele sofrendo ou fazer ele parar de sofrer?” Putz… eu adoeci… passei 2 semanas mal, na época não sabia de hemodiálise e transplante para cães e nunca ninguém lá de casa havia pensado em fazer eutanásia. Foi um debate muito difícil e pesado em reuniões só para falar de como iríamos ajudar e prover bem estar para Soluço. Ele era irmão e filho….Como doía vê-lo daquele jeito…dói rememorar tudo isso…

Foi assim que em dezembro de 2008 decidimos pela eutanásia. Pedimos ao veterinário que viesse apenas dia 27, pois pelo menos ele passaria mais um Natal conosco. Foi muito difícil! Meus irmãos humanos que moravam em outras cidades se despediram dele nesse período e coube a minha mãe e eu estarmos em casa para a aplicação da eutanásia. O veterinário deu primeiro uma injeção de relaxante muscular, depois um remédio para dormir. Ele deitou a cabeça no meu colo e ficou olhando para mim chorando. O veterinário pediu que falasse tranquila com ele para que ele fosse em paz. Então me despedi dele em meus braços, abraçando, agradecendo e dizendo o quanto o amava… Ele adormeceu e o médico fez a última etapa do procedimento com uma injeção do remédio que faria ele parar de respirar e de bater o coração. Foi tranquilo, ele não se debateu ou teve qualquer reação… simplesmente descansou…

Soluço com 12 anos

Foto do dia 27 de dezembro de 2008 – a despedida

Mais uma vez adoeci, foi péssima a passagem de ano, e o ano de 2009 foi um dos mais difíceis para mim. Demorei a me recuperar e esta é a primeira vez que consigo falar no assunto, pois antes pedia apenas para amigos e parentes pararem de falar ou eu me retirava…

Não gosto de falar sobre isso, pois fico mal de novo… mas estou falando para vocês entenderem que realmente não é fácil certas escolhas. E se fosse um filho ou irmão humano, faríamos eutanásia? Até que ponto é melhor permanecer com ele (mas sofrendo) ou não ter ele (que não sofre mais)? Não tem resposta pronta para ninguém, cada caso, situação, contexto muda as visões éticas, mas uma premissa permanece: respeito e manutenção do bem estar!

É isso…

Temos que sentir! Se é o seu caso, se está passando por isso: sinta! Veja o que você sente ser o melhor para seu cachorrinho. Sinta e reflita, deixe as emoções tomarem seu corpo e ao mesmo tempo raciocine qual a melhor saída para essa situação. A decisão é sua, já que é o cuidador. Não se sinta culpado pela condição de seu cachorrinho. Tenha consciência de suas atitudes, de como está agindo para dar boa qualidade de vida para seu cachorrinho. Tenha calma, respire fundo e continue tratando ele com todo carinho.

Segue abaixo  3 links de sites diferentes que apoiam a hemodiálise (o 1º) e que não concordam com esse tratamento em animais idosos que apresentam problemas crônicos e estão em um estágio da insuficiência renal em que não haverá reversão da situação dos rins, eles simplesmente não funcionarão mais (2º e 3º sites). Todos os sites abaixo são comentados por veterinários.

1º: http://www.webanimal.com.br/cao/hemodialise.htm
2º: http://synararillo.com.br/?p=1208
3º: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20081015163351AALkyLo

Fiquem bem,
Abraço,
Christiane Donato

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