Por que Neil deGrasse Tyson?


Por que Neil deGrasse Tyson?

Alguns fãs e entusiastas do clássico programa Cosmos, me perguntaram em off por que o astrofísico Neil deGrasse Tyson fora escolhido para ser o sucessor de Carl Sagan na apresentação da nova série que estreou no Brasil na semana passada.

Para responder em apenas uma linha eu resumi:

— Pelos seus méritos como cientista e como divulgador da ciência, ué!

E fiquei estarrecido pelo pouco que sabiam sobre o eminente astrofísico.

Será que esses leitores estariam desinformados?

Repensando a questão, percebi que Neil deGrasse Tyson não possuía no Brasil a visibilidade que eu imaginava, principalmente na comunicação de massa, como a TV aberta, por exemplo.

E que mesmo para esses fãs contumazes de programas de divulgação científica sua figura não era tão célebre assim.

Percebi também, que nessas décadas que separam a estreia desse segundo programa Cosmos e da estreia da série original, a ciência tem perdido espaço na mídia mais popular, não só no Brasil, mas também nos países desenvolvidos.

Muitos poderão me responder que a internet tende a suprir tal defasagem. Será?

Nó próprio EUA a educação científica está às moscas, com os índices de interesse nessa área cada vez menores. O número de cientistas importados da Ásia e da América do Sul está cada vez maior.

Com a redução da verba destinada à pesquisa espacial, a própria NASA tem que depender muitas vezes da ‘carona’ das naves russas para cumprir com sua agenda, além de mendigar no senado alguma ajuda financeira para pagar sua folha.

Seriam apenas sintomas da globalização e da crise financeira norte americana?

Para piorar o quadro, o desinteresse pela carreira de cientista (ou qualquer carreira na qual o profissional tenha que pensar) atinge países com uma tradição inatacável nessa área, tais como a Alemanha e o Japão.

Alguns afirmam que a diferença salarial entre um cientista e outra profissão menos “pensante”, não compensaria a diferença nas horas de dedicação e estudo envolvendo toda aquela terrível matemática.

Percebemos, ainda, que na TV e no cinema mundial o cientista é apresentado de forma caricata, perpassando geralmente por alguns estereótipos que já viraram clichês: tais como o “nerd” horroroso sem nenhuma habilidade social e muito próximo de um completo idiota; o “inocente” útil manipulado por inescrupulosos vilões ou o próprio vilão com ânsia de provar suas ideias, dominar o mundo, desrespeitar as leis da natureza,  produzir drogas, armas, monstros, etc. etc. etc.

Numa era em que a ciência tem desempenhado papel preponderante na evolução da tecnologia esbarramos num analfabetismo científico que parece grassar em todas as esferas.

Evidentemente muitos apontam a ciência com a raiz de todos os males e que existem coisas que o Homem não deveria mexer.

No entanto, temos que recordar que a população mundial continua crescendo e que a economia enfrenta problemas emergentes para resolver as demandas em alimentos, moradias, empregos, etc.

Os avanços médicos e a evolução nas técnicas agrícolas permitiram esse crescimento populacional no passado, coadunada ao aumento da esperança de vida da população mundial.

Mas será que conseguirá sustentar essa demanda no futuro?

E agora? O que fazer?

Recordando também que ainda boa parte da humanidade não tem acesso à eletricidade ou mesmo à água tratada. Afinal o contraste vergonhoso entre ricos e pobres persiste, tanto entre indivíduos como entre nações.

Será que os problemas ambientais e sociais e tecnológicos poderiam ser resolvidos sem a ajuda da ciência?

Será que divulgar a ciência ajudaria a dirimir as dúvidas sobre sua real utilidade?

Tá. Existem os canais educativos em todos os países. E daí?

As grandes descobertas da ciência permanecem ignoradas pela maioria da população humana simplesmente porque essa maioria da população humana não está usufruindo da maioria dos benefícios resultantes dessas grandes descobertas da ciência.

Parece que pior mesmo que a parca divulgação científica em nosso planeta tem sido a gestão da ciência. Ou do que é feito com as descobertas nas áreas mais emergentes. Será que essa gestão tem sido realizada apenas para atender à parcela mais rica da população?

Enquanto alguns têm acesso à ressonância magnética a maior parte sequer conhece a água tratada.

Enquanto isso a mídia mundial investe em reality shows criando celebridades temporárias para vender cerveja e sabão em pó.

Não. Não vou culpar a janela pela feiura da paisagem.

Cabe apenas a constatação de que se tais programas destinados ao grande público se mantém na grade da TV aberta décadas a fio é por que possuem audiência.

Alguns apontam a simples constatação:

Não existe cultura sendo divulgada para as massas por que as massas não querem cultura.

Será?

Enquanto o impasse se mantém o nosso mundo continua carente de soluções.

Fonte: http://hypescience.com/por-que-neil-degrasse-tyson/

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