O amor-perfeito


Ele era um amante da natureza. Adquiriu uma grande porção de terras, contratou jardineiros e decidiu instalar um maravilhoso jardim.
Em sua mente, idealizou flores em meio a lençóis de verdura e árvores exóticas. Romântico, imaginou cores variadas em ramalhetes perfumados, ao lado de árvores grandes e pequenas, com flores e frutos em abundância.
Não mediu esforços, nem recursos. Consultou entendidos de toda sorte, pois desejava que o seu jardim se tornasse um lugar extremamente agradável, onde as pessoas pudessem respirar ar puro, perfume e ficassem felizes com a beleza.
Esperava que artistas nele se inspirassem para criar obras lindíssimas e que os poetas ali encontrassem inspiração para versos imortais.
Transcorrido o tempo, foi visitar o jardim, cogitando de como seria o dia em que pudesse ofertá-lo ao público.
Qual não foi a sua surpresa, ao descobrir que as flores não haviam florescido, nem as árvores frutificado. Tudo parecia dormir, como num encantado conto de fadas.
Arbustos, árvores e flores definhavam e pareciam morrer. Foi então que, indagando das causas, o carvalho disse que estava morrendo porque não podia ser tão majestoso e alto quanto o pinheiro.
Já o pinheiro murchava porque não conseguia dar uvas como a parreira e essa se mostrava encolhida e triste, por não poder desabrochar como a roseira.
Todos tendiam a invejar o porte, a esbeltez, a beleza do outro ou a sua capacidade de florir ou frutificar. Em meio a tanta lamentação, o homem descobriu, no entanto, uma planta florida e viçosa. Era o amor-perfeito, que lhe disse:
Supus que, quando fui plantado, você queria um amor-perfeito. Se quisesse uma pereira, um carvalho ou um pequeno arbusto os teria plantado.
Então, pensei que se não posso ser ninguém além de eu mesmo, tentarei ser o que sou da melhor maneira possível.

Com base em artigo intitulado
Amor-perfeito, publicado em Seleções Reader’s Digest, de
janeiro de 1999.

Recebido por email.

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