Interatividade da internet mudou a forma de comunicar a ciência


Com o advento das novas mídias, as visões tradicionais da comunicação da ciência estão sendo redefinidas, aponta Dominique Brossard, da University of Wisconsin-Madison (foto:PCST)

As novas plataformas de web 2.0 – como é denominado o uso interativo da internet –, tais como blogs e redes sociais, têm transformado o modo de comunicar a ciência e aumentado a difusão de conteúdo científico em diversos países, incluindo o Brasil.

“Temos cada vez mais blogs de ciência em diversos países, que em grande parte não são feitos por cientistas ou jornalistas científicos, mas por pessoas comuns, com interesses específicos por determinados assuntos científicos, que na tentativa de compreender a ciência têm produzido conteúdo de uma forma que não era feita há dez anos”, disse Brossard, que lidera o Laboratório de Pesquisa em Ciência, Comunicação Social e Público (Scimep, na sigla em inglês) da universidade norte-americana.

De acordo com Brossard, além dos blogs, outras mídias sociais, como o Facebook e o Twitter, têm impactado fortemente o engajamento público na ciência e tecnologia.

São necessários, no entanto, mais dados empíricos para avaliar a real dimensão desse impacto, a forma como o público se relaciona com essas novas mídias e como a informação é difundida nesses novos meios de comunicação, afirmou a pesquisadora.

“Diversos estudos têm demonstrado que as redes sociais contribuem para a difusão de notícias sobre diversos temas, inclusive ciência e tecnologia, e que o público é amplamente a favor da publicação de notícias nas redes sociais”, apontou.

“Mas a pesquisa sobre a comunicação on-line da ciência ainda apresenta muitos desafios e são necessários mais estudos para comprovar nossos pressupostos, que são diferentes dos que tínhamos em relação às mídias tradicionais”, avaliou Brossard.

Segundo a pesquisadora, alguns estudos recentes – como o Reuters Institute Digital News Report 2013, publicado em julho do ano passado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism, da Oxford University, do Reino Unido – indicam que o público consome cada vez mais notícias on-line. No caso das notícias sobre ciência e tecnologia, essa tendência não é diferente.

“As pessoas voltam-se cada vez mais para ambientes on-line a fim de encontrar informações sobre ciência e acompanhar os progressos científicos”, afirmou.

“E, em muitos países, as pessoas procuram por informações científicas cada vez mais por meio de buscadores, como o Google, em vez de seguir fontes específicas, como os sites dos principais jornais de seu país”, apontou Brossard.

Uma das características das notícias publicadas hoje no universo on-line, de acordo com a pesquisadora, é que elas estão cada vez mais contextualizadas – ou seja, são acompanhadas por seções de comentários e são “tuitadas”, “retuitadas” e reproduzidas nas redes sociais.

Segundo Brossard, esses “rastros” das notícias podem ser utilizados como indicadores para os pesquisadores da Ciência da Comunicação obterem dados empíricos para estudos sobre comunicação on-line. “Eles podem nos dar pistas para analisarmos os efeitos das notícias sobre ciência, por exemplo, no universo on-line”, indicou.

Uma das constatações feitas em um estudo realizado do grupo dela no Scimep com base em algumas dessas “pistas contextuais”, como ela as denomina, é que os comentários publicados sobre uma notícia podem mudar a forma como os leitores a interpretam.

“Descobrimos que os comentários podem modificar a percepção e a opinião de outros leitores em relação aos resultados de uma pesquisa científica relatados em uma matéria publicada em uma plataforma on-line”, disse Brossard.

A fim de minimizar esse efeito, alguns veículos, como a revista de divulgação científica norte-americana Popular Science, decidiram desativar a seção de comentários dos leitores em suas edições on-line, apontou a pesquisadora. “Essa ação nos forneceu evidências empíricas das nossas conclusões”, afirmou Brossard.

Quer saber mais?

Veja a fonte: http://agencia.fapesp.br/19049

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