3 coisas que você não sabia sobre os aracnídeos que vivem na sua cara


D. brevis. Image by Dan Fergus and Megan Thoemmes

Calma, não são aranhas. Mas são aracnídeos. ANIMAIS. VIVENDO – NA – SUA – CARA.

Seu corpo é um conjunto de micróbios, fungos, vírus e aparentemente até bichos. Na verdade, na vizinhança geral do seu nariz, há pelo menos duas espécies de ácaros morando sem pagar aluguel.

Esses queridinhos – os Demodex – são aracnídeos microscópicos (parentes das aranhas e carrapatos) que vivem dentro e na pele de mamíferos – incluindo seres humanos. Eles foram encontrados em todas as espécies onde procuramos por eles, com exceção do ornitorrinco e seus estranhos parentes que põem ovos.

Pior: apesar de eles viverem literalmente na nossa cara, sabemos muito pouco sobre eles. Exceto três coisas que os cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte, do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte e da Academia de Ciências da Califórnia (todos nos EUA) acabaram de descobrir em um estudo sobre esses animaizinhos misteriosos.

1. Todo mundo tem ácaros no rosto

Uma das descobertas mais chocantes é que os ácaros vivem em todos – até em você. Isso nem sempre foi evidente, porque é difícil encontrar um ácaro vivo em sua face. Métodos de amostragem tradicionais (incluindo raspagem ou puxar um pedaço de fita de seu rosto) só retornam com ácaros em 10 a 25% dos adultos. O fato de que os ácaros são encontrados em uma taxa muito mais elevada em cadáveres (provavelmente porque é mais fácil cutucar e puxar coisas dos rostos de mortos) foi um indício de que eles podem ser muito mais onipresentes em nós.

E foi o que os pesquisadores concluíram. Dan Fergus, biólogo molecular no Museu de Ciências Naturais, descobriu que o DNA do ácaro pode ser sequenciado a partir de amostras de rostos humanos, independentemente de um ácaro ter sido encontrado vivo ali, sob o microscópio. O DNA de ácaros foi encontrado em todos os adultos que submeteram amostras, o que significa que eles são, mesmo, onipresentes.

2. Humanos possuem duas espécies de ácaros que nem sequer estão intimamente relacionadas entre si

Como estas bestas passaram a viver em nós? Talvez esses ácaros sejam um modelo de coevolução. É possível que, conforme todas as espécies de mamíferos evoluíram, os ácaros evoluíram junto – cada um particularmente adaptado a seu hospedeiro.

Nesse caso, seria de esperar que adquirimos nossos ácaros de nossos ancestrais símios, e que as duas espécies de ácaros humanos são mais estreitamente relacionadas entre si do que entre qualquer outra espécie de ácaro.

No entanto, as duas espécies de ácaros em nossos rostos – Demodex folliculorum (longo e magro) e Demodex brevis (curto e rechonchudo) não são parentes muito próximos uns dos outros. As análises mostram que o D. brevis é mais estreitamente relacionado aos ácaros do cão do que o outro humano. Isso é interessante porque nos mostra que os seres humanos adquiriram cada uma dessas espécies de ácaros de diferentes maneiras, e que há duas histórias separadas de como cada uma dessas espécies veio a morar em nosso rosto.

D. folliculorum. Image by USDA Confocal and Electron Microscopy Unit

Embora não temos provas suficientes para dizer que ganhamos um dos nossos ácaros do melhor amigo do homem, parece possível que uma das espécies de animais domésticos com as quais compartilhamos casas há tanto tempo tenha nos presenteado com seus ácaros.

3. Ácaros podem nos ajudar a desvendar a divergência histórica das populações humanas

Como adquirimos nossos ácaros é apenas uma parte da história. Também há o problema de como nossas espécies de ácaros evoluíram desde que se tornaram nossos companheiros constantes.

Os Demodex provavelmente vivem conosco há um longo tempo. Quando os primeiros seres humanos saíram da África, eles carregaram seus ácaros juntos com eles. Por isso, os cientistas queriam saber se o DNA dos Demodex eram um reflexo da nossa própria história evolutiva, permitindo-nos refazer esses caminhos antigos de migração humana.

Até o momento, as análises parecem promissoras. Ao olhar para o DNA de uma de nossas espécies de ácaros, D. brevis, descobrimos que os ácaros da China são geneticamente distintos dos ácaros das Américas. Populações leste-asiáticas e europeias divergiram mais de 40.000 anos atrás e até agora parece que seus ácaros fizeram o mesmo.

Por outro lado, o D. folliculorum da China é indistinguível das Américas. Das duas espécies de Demodex associados com os seres humanos, D. brevis vive mais profundamente nos nossos poros e provavelmente é compartilhado entre as pessoas menos prontamente, enquanto que o D. folliculorum parece desfrutar de uma “dominação global”.

Mais China e os EUA são apenas pequenos pedaços do globo. Se analisarmos mais populações, a antiga jornada do Homo sapiens pode ser recontada pelos ácaros.

Fonte: http://hypescience.com/acaros-aracnideos/

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