Biomimética – a inovação inspirada na natureza


Conceito e etimologia

A etimologia do termo biomimética está relacionada diretamente com a conjugação dos termos gregos bios: vida; e mimesis: imitação, denominando um novo corpo de conhecimentos que encontra em alguma característica dos seres vivos seu modelo, seu mentor e/ou uma fonte de inspiração.

É evidente que boa parte de nossa tecnologia seria no fundo biomimética, haja vista que não é muito difícil encontrarmos seu similar na natureza, como por exemplo, a criação do avião que se inspirou na habilidade dos pássaros ou a do submarino que tem sua fagulha criadora na realidade da vida subaquática.

Importância

Pesquisadores da envergadura de Stephen Wainwright afirmam que a biomimética em breve ultrapassará a biologia molecular e a substituirá “como a mais desafiadora e importante ciência biológica do Século XXI”

Na opinião do professor Mehmet Sarikaya:

“Estamos no limiar de uma revolução de materiais equivalente à que houve na Idade do Ferro e na Revolução Industrial e a biomimética será o mais importante agente que modificará profundamente a forma de como nos relacionamos com a natureza e com nós mesmos.

Algumas de suas aplicações

Velcro

Desenvolvido pelo engenheiro George de Mestral a partir da observação de que sementes de algumas gramíneas são dotadas de espinhos e ganchos que as habilitam de se prender nos pelos dos animais.

Superfícies de baixo atrito

São desenvolvidas aplicações inovadoras, como trajes de natação e mergulho mais hidrodinâmicos, inspirados na pele dos tubarões ou mesmo carenagens mais aerodinâmicas para os mais variados veículos, de trens a aviões, valendo-se do estudo da biomecânica do voo dos pássaros.

Telas “asa-de-borboleta”

Novas superfícies de visualização de baixíssimo consumo de energia, fundamentada nas propriedades reflexivas das asas de algumas espécies de borboletas.

Turbina “WhalePower”

O design das pás de turbinas eólicas inspirado na geometria das barbatanas da baleia jubarte produzem 32% menos atrito e 8% menos arrasto que as lâminas convencionais.

Carro biônico

Desenvolvido pela Mercedes-Benz a partir da geometria hidrodinâmica do peixe cofre, o “Bionic car” atinge um coeficiente aerodinâmico de 0,19 e consome até 20% menos combustível que um veículo convencional de potência equivalente.

Efeito lótus

Fundamentado no design e textura das folhas do lótus que repele a água e a poeira, diversas dessas soluções estão sendo desenvolvidas pela indústria para sua aplicação em tecidos, carenagens metálicas, para-brisas de aviões e faróis de automóveis.

Abrangência

A célebre pesquisadora norte americana em Ciências da Natureza Janine Benyus conceitua a biomimética exatamente por esses três vieses:

  1. A natureza como modelo
  2. A natureza como mentora
  3. A natureza como medida

No primeiro caso, tendo a natureza como modelo, está se tornando possível, no design o desenvolvimento de aplicações inovadoras, como os já citados trajes de natação e mergulho e as carenagens mais aerodinâmicas.

Muitos especialistas garantem que, nessa área, a investigação está apenas começando.

Em sua segunda dimensão, tomando-se a natureza como mentora, a tecnologia inovadora deve contemplar inevitavelmente a sustentabilidade e a usabilidade.

Muito mais do que simplesmente extrair da natureza a matéria-prima até o seu esgotamento, há que se aprender com a natureza a importância de seus ciclos e metodologia na construção de uma verdadeira política de consciência ambiental, imprescindível para sustentar a vida em sua diversidade e em seu delicado equilíbrio.

Esse aprendizado, notadamente, aponta para a terceira dimensão da biomimética, que é a de tomar a natureza como medida.

Ora, nesses 3,8 bilhões de anos de evolução os processos naturais testaram, por tentativa e erro, o que funciona e o que não funciona na preservação de uma espécie e de seu habitat.

E é nesse viés, de fato, que se reafirma:

— Quem não aprende a lição com a história, identificando seus erros, está fadado a repeti-los.

Na esteira de suas mais recentes conclusões ecológicas — que inevitavelmente passa pela avaliação de que a extinção em massa é uma realidade — seria oportuno do ponto de vista da biomimética, nessa altura, antever o que funcionará e o que não funcionará amanhã para garantir, por exemplo, a nossa sobrevivência enquanto espécie.

Fontes:

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