Poesias


Fiz poesia…
Mas os versos esqueci.
Sei que alguns perderam,
Outros nunca leram,
Porém… Sei que existi.

Escrevi o que senti,
Escrevi o que pensei,
Escrevi o que vivi,
Escrevi o que desejei…

As palavras se vão
Os atos… então…
Contudo a experiência, persiste.

As marcas irão ficar
E o tempo insiste
Que sempre vale a pena viver
Mesmo que depois não venha a lembrar…

Christiane Donato

###

(Poesia escrita sobre/para minha dissertação de mestrado – 2011)

 

Em um nascimento reverso

Volto à penumbra aconchegante e úmida do ventre de minha mãe.

Lá me encontro,

Disperso-me,

Reviro-me.

Em simbiose me acomodo,

Incomodo,

Mas rogo minha permanência duradoura ali.

Do útero que me abriga

Tento nada retirar ou deixar.

Estou e sou ao mesmo tempo em escuridão dinâmica enfim.

E a duração de minha vida

Avisa que a morte vem aí.

Sou conduzida à luz,

A qual induz apenas um pensamento:

Saio em morte cega,

Deixo minha casa quente, úmida e escura para o vazio aberto do superficial

A claridade surge!

A superficialidade domina no jardim entorno…

Como era de se imaginar.

Prefiro renascer…

Que bom que em meu mundo de interconexões posso ressuscitar sempre que precisar ou simplesmente quiser!

O novo em duração renasce em profundidade

Enquanto o velho, o acabado morre na superficialidade.

Que sempre venha o novo!

Que sempre esteja novo!

Viva!

 

Christiane Donato

***

Dias doces, mel
Surprendentes como céu
Livres borboletas!!!

Christiane Donato

Sob ondas moro,
Em água sempre espero
a ti, meu amor

Christiane Donato

Morcego vibra

Em penumbra excita

Toda minha luz

Christiane Donato

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Neste vai e vem da vida

Tudo é sempre despedida…

As ondas não se repetem,

Os ventos não se repetem…

Os momentos seguem

E tudo não é como antes…

As ondas se erguem

Com os ventos restantes

E o barco à espreita

Em águas revoltas se esgueira

Esperando o tempo certo

Aguardando o vento esperto… de sair daqui

Rema, rema

Neste mar de águas loucas

Inspirando o velho ar

O novo ar do mar à beira

Vida incerta:

Certo é o ar que não respirarei mais,

A água que não beberei mais,

O que antes não será igual depois…

Morte certa:

Incertos são os motivos de tua onda,

Os segundos últimos de ar que nos ronda,

O que levarei e deixarei na vida deserta…

A repetição não é concreta

O ciclo é ilusão

A vida incerta

A única verdade: a inauguração

Christiane Donato (2008)

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GATO

Sozinho o gato atravessa o corredor

Saindo da escuridão

Para a solidão eterna

Passa…

Olha para os lados

E sai correndo

Voltando para lugar nenhum

Sem destino

Desliza pela parede, se esfregando,

Pára…

Senta

Começa a se lamber

Sem amigos

Sem família

Com ninguém

Então dá um salto súbito

Começa a correr

Rola no chão

E a brisa da escuridão começa a envolvê-lo

Pára…

Ainda inquieto

Senta-se

Olha para o céu,

Sem lua e estrelas,

Apenas nuvens,

Que naquele instante começam a chorar

Para onde irá agora?

Nesta selva de pedras,

Em seu humilde lar,

Passeia de um corredor para outro

Para lá e para cá

As horas voam

Os dias se vão

E o gato sempre a atravessar o corredor

Para lá e para cá

Sem dia para se findar

Sem alguém para brincar

Apenas ele

Sozinho…

Na luz profunda da escuridão

No túnel sem fim da solidão

Para lá e para cá

Para lá e para cá

Para lá e para cá

Christiane Donato (em homenagem aos gatos abandonados da UFS)

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CONTRASTES

Entre o branco e o preto

Prefiro o preto,

Que não é nada

E ao mesmo tempo

Todo imensidão


Entre o dia e a noite

Escolho a noite

Que em céu profundo

Desvenda outras estrelas

Em constelação


Entre o Sol e a Lua

Almejo a Lua

Que seduz e encanta

E não representa solidão

Entre o claro e o escuro

Quero o escuro

Que com suas corujas e morcegos

Encantam-me com toda paixão


Entre a luz e as trevas

Fico com as trevas

Que disfarçam

E escondem toda imperfeição

Entre Eu e Você

Suspiro você

Que bebe minh’alma

E come meu coração

Entre a vida e a morte

Entendo a morte

Que a cada dia se faz mais próxima

Como símbolo de precisão

Christiane Donato

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(sem título)

Começar de onde pararam

Permitir o já recomendado

Falar o muito pensado

Contar o que todos fizeram

Copiar…

Transferir…

Imitar…

Perpetuar…

… Círculo vicioso!…

O que devemos fazer para inovar?

Cortar laços com o passado?

Será mesmo necessário?

Começar do zero?

Desbravar infinitas dimensões

Descobrir o inacreditável…

Ser o inestimável!

Tudo, podemos!

Todos conseguiremos!

Com base em fatos históricos,

Criatividade,

Paciência,

Coragem…

Alcançaremos a miragem!

Colheremos os frutos

Beberemos da insípida água

Descansaremos sob a sombra dos louros

Pensaremos nos dias vindouros

E com glória e destreza

Veremos as certezas se concretizarem!

Da raiz à copa

A vida é toda possibilidades

Desejos e realizações!

Concorda?

Christiane Donato

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MUNDO VOCÊ

Rodando, rodopiando

Ando, ando com os pés no chão

Vira, contorce

Torce e destorce

Vai e vem bumerangue e balão

Olhando do alto

Salto!

Pulo, pulo!

Na imensa terra, toda imensidão!

Mundo gira

Vira mundo

Mundo mudo

Muda tudo

Molda mundo

Transforma, reforma…

Vasto mundo

Devasso tudo,

Tudo muda

Vira vasso

Vem e vai

Leva e trás

Corre, corre

Volta, vira

Muda!

Muda mundo, muda você!

 Christiane Donato

14 opiniões sobre “Poesias”

  1. Muito bom conhecer uma bióloga que faz poesia. Temos essas duas coisas em comum. Trabalho com sistemática de Grylloidea e tenho identificado muito material para espeleólogos. Sou amigo da Leo Trajano e do Pedro Gnaspini, da USP, Vc deve conhecê-los.
    Parabéns por este seu espaço. Visite o meu.
    Bjãooo,
    Chico

  2. Linda as poesias!!!Muito criativas e dá para aprender muito!!!
    Quem sabe é Carlos Drummond versão girl rsrs!!!!:)
    sucesso!!

  3. Gosto de todas suas poesias e me orgulho delas…e às vezes penso se isso tudo sai da tua cabeça mesmo..Beijão…

  4. Tenho quase certeza que você gostaria ou adoraria as poesias biológicas de Ismar Sebastião Moscheta. Que pode a razão em estado avançado e pleno de perspicácia? Poesia em estado pleno de emanação. Parabéns, Christiane!

  5. Lindas poesias! Nos fazem refletir sobre os acontecimentos ao nosso redor… Ainda não tinha lido.. Estão de parabéns!

    1. Caro Sr. Gustavo,

      Desde 22 de novembro deste ano, logo depois que o senhor foi realocado e não trabalha mais no CODAP, tem enviado mensagens inconvenientes para mim por meio deste Blog.

      Este blog, como tem em sua descrição na página inicial, tem função de expor meu trabalho ou assuntos de meu interesse relacionados ao meu trabalho. Sendo assim, peço que encerre seus comentários pessoais impertinentes. E pessoalmente sou casada, muito satisfeita e feliz com meu relacionamento, o que não fico expondo por não ser este o espaço para esse tipo de discussão.

      O conheci no local de trabalho, onde também sou educada, e todas as vezes que possa ter me direcionado ao senhor foram relacionadas a assuntos do trabalho e não pessoais. Como algumas de suas mensagens podem ser consideradas assédio, todas estão gravadas e pessoas da minha família e do ambiente de trabalho já tem conhecimento desta situação indesejada.

      O senhor tem direito de pensar, sentir ou falar o que quiser, mas eu também tenho o direito de não concordar, não querer saber nada do que o senhor pensa ou sente e de me proteger contra danos causados pelas suas atitudes.

      Gostaria, por gentileza, que parasse de enviar mensagens para este blog. Suas mensagens não são mais bem vindas, diante tudo que já foi enviado e não publicado anteriormente.

      Atenciosamente,

      Christiane Donato.

  6. Uiii quebra de sintaxe e Neoconcretismo, poeta contemporânea ela rsrs… A primeira, vou batizar de “Fiz Poesia”, ficou parecendo uma poesia que escreve um pensamento do que se pensa em quanto escreve, ficou um filo de metalinguagem envolvido.

    “Vasto mundo

    Devasso tudo,

    Tudo muda

    Vira vasso” (Christiane Donato).

    Este trecho (supracitado) em especifico, gostei da quebra da palavra devasso, juntamente jogando com o “vasto” do verso. Mtt bom parabéns, HashTag VcMeInspira.

  7. Como eu quero que seja…

    Reconhecer o que nos fere,
    conseguimos sem tamanho esforço,
    contudo a causa do que nos fere,
    da solução será o esboço.

    Sim, o problema é existente,
    mas o que você tem feito,
    além de afogar em seu peito
    tudo que te faz descontente?

    Faça, enquanto amargurado, encontre ou promova uma solução,
    mas nunca sinta-se vitimado, não eleja outro culpado
    a não ser seu insucesso frente a tal situação.

    “Nada tem de continuar da maneira que está
    se a pessoa não quiser que seja assim”.
    Tudo que você tem a fazer, segundo Azie Taylor Morton,
    causa estranheza até pra mim.

    Na simplicidade em que a solução salta,
    ao responder a seguinte questão que enseja,
    visualize a fuga da efialta:
    Como é que eu quero que seja?

    Fernando Ferreira
    15/03/2016.
    Inspirado por um e-mail enviado por minha amada(Christiane Donato) que me inspira por mais de uma década e meia, intitulado como: “A pergunta”.

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