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Essas 6 manias de todo ser humano têm motivos evolucionários


Por que os seres humanos ao redor do mundo todo compartilham tantos pequenos tiques esquisitos, como por exemplo colocar a língua para fora quando estamos concentrados? De onde eles vieram e para que servem? Confira seis deles:

6. Colocar a língua para fora quando estamos concentrados

Essa mania que podemos observar principalmente em crianças pequenas – mas que de vez em quando aparece de forma mais discreta em adultos – vem do início da comunicação humana.

De acordo com a teoria da protolinguagem gestual, os seres humanos começaram a se comunicar com gestos, para depois desenvolver a linguagem oral. As primeiras linguagens consistiam basicamente de mímicas para representar ações rotineiras como caçar e comer.

Isso pode explicar por que colocamos a língua para fora quando estamos concentrados em tarefas manuais, como colorir e recortar. Pesquisadores observaram que as crianças tendem a colocar a língua cada vez mais para fora conforme os desafios manuais vão ficando mais difíceis.

O mesmo estudo mostrou que crianças são mais propensas a apontar a língua para o lado direito, indicando que a ação é controlada pelo hemisfério esquerdo do cérebro – o mesmo lado responsável pela linguagem.

5. Suspirar quando estamos frustrados

Você pode não ter controle algum sobre o prazo ridiculamente curto que seu chefe passou para terminar aquela tarefa ou sobre a gatinha da faculdade que não lhe dá a mínima atenção, mas pelo menos você pode suspirar ou bufar até ficar mais calmo.

O suspiro pode parecer existir apenas pelo efeito dramático que traz à interação social, mas segundo a ciência, há um motivo fisiológico para sua existência também: garantir que você não se sufoque lentamente até morrer.

Os pulmões contêm pequenos sacos de ar chamados alvéolos, que fazem a troca do dióxido de carbono do sangue pelo oxigênio. O problema é que eles naturalmente entram em colapso conforme o tempo passa. Por sorte, também temos um mecanismo que impede que isso aconteça: inspirar profundamente, também conhecido como suspirar. Esta simples ação abre os pequenos sacos novamente, permitindo que a troca gasosa aconteça com melhor aproveitamento.

Mas se isso acontece com certa frequência, porque bufamos em situações de estresse? Você já deve ter reparado que quando suspira, mesmo sem nenhum motivo emocional, imediatamente sente uma sensação de alívio. É como se o suspiro fosse um botão para reiniciar a função respiratória. Por isso, procuramos esta mesma sensação quando estamos sob pressão, e acabamos suspirando.

Pode até passar batido, mas suspiramos muito mais do que percebemos. Uma pessoa suspira, em média, a cada cinco minutos.

4. A forma de falar é influenciada pelo ambiente

Por que línguas como o francês, espanhol, italiano e português têm uma sonoridade mais agradável enquanto o alemão, sueco, russo parecem línguas mais “duras”?

Claro que a proximidade geográfica entre essas populações justifica semelhanças entre elas, mas há também um motivo físico: as ondas sonoras não se comportam da mesma maneira em ambientes diferentes.

Por exemplo: as consoantes se perdem facilmente em ambientes com muitas árvores e obstáculos que absorvem o som, como em uma floresta. Já em regiões com montanhas e neve, esses sons viajam com maior facilidade.

Por isso, habitantes de regiões tropicais usam mais vogais e sílabas abertas, como a palavra “aloha”, no Havaí. Nesses ambientes, palavras que terminam com consoantes não se comportam muito bem. A frase em alemão “Ich liebe dich” exige mais esforço do interlocutor destes ambientes.

O fenômeno também pode ser observado no canto dos pássaros: espécies nativas de florestas tropicais usam sons mais parecidos com vogais.

3. Balançar a cabeça para dizer que estamos cheios

O gesto humano mais reconhecido no mundo é o balançar da cabeça horizontalmente, que significa “não” (exceto em poucas regiões do mundo, como a Bulgária, onde isso quer dizer “sim”). Mas como este gesto foi ganhar este significado?

Uma hipótese para explicar esta linguagem corporal é que ela venha da alimentação dos bebês – tanto os atuais como dos pré-históricos. Como ainda não conseguem se comunicar, eles simplesmente tentam fugir da comida que os adultos oferecem quando já estão cheios, virando a cabeça para os lados.

Essa fuga da comida em excesso acabou se conectando à ideia de “não quero comer”, “agora não”, e simplesmente “não”.

2. Contraímos os músculos da face quando estamos muito bravos

Pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA) e Universidade Griffith (Austrália) estudaram por que a nossa expressão de braveza é do jeito que é.

Os pesquisadores Aaron Sell, Leda Cosmides e John Tooby dividiram os músculos faciais em sete grupos e analisaram isoladamente como cada um deles influencia a expressão. A conclusão é que mesmo sozinhos, esses grupos podem passar a mensagem de raiva. Uma sobrancelha junta ou lábios repuxados, por exemplo, são suficientes para passar essa impressão.

Segundo eles, a contração facial tenta mostrar ao seu oponente que você tem força física suficiente para ganhar dele se for necessário brigar fisicamente.

1. Bebês do mundo todo chamam suas mães de “mama”

A primeira palavra da maioria dos bebês é “mama” para as mães e “papa” para os pais. Isso acontece no mundo todo, em todas as linguagens. Em alguns países, as palavras se alteram levemente: na China, os bebês usam “baba” para os pais, e na Turquia eles preferem “ana” para as mães.

Quem estudou essa fantástica coincidência foi o pioneiro da linguística, Roman Jakobson. Sua teoria era de que os sons da fala são aprendidos em uma ordem específica, baseada em sua complexidade. O som do “r” é o mais difícil, e tende a ser o último a ser aprendido. Já o som “mmm” sai com facilidade quando os bebês fecham a boca, mas usam suas cordas vocais. Se fazem a mesma coisa com a boca aberta, o som resultante é o “ma”. As consoantes “p” e “b” também são simples de se produzir.

Por isso, é provável que os pais de toda a humanidade tenham adotado os nomes “mama”, “papa”, “baba” ou “dada” para dar uma mãozinha aos filhos, e não que os filhos tenham aprendido essas palavras porque os pais as usam o tempo todo.

Fontes:

 

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A ciência brasileira está em crise e a culpa é dos cientistas


Desculpe fugir do esporte nacional de culpar o governo e nos responsabilizar por essa, mas me acompanhe.

O coração serve para conquistar o seu e o de quem financiou a missão.

 

Não é novidade que estamos em uma crise financeira das bravas. E a ciência foi pega pelo colarinho nessa, agências de pesquisa com verba cortada, universidades sem financiamento, etc. Nos corredores da USP – não sei das universidades fora de São Paulo, mas imagino que não seja melhor – o clima é de derrota. Bolsas de pesquisa novas não saem, bolsas já concedidas aos departamentos não são renovadas e os projetos de pesquisa, se aprovados, só com sérias restrições orçamentárias. Isso enquanto o dólar dispara do outro lado, fazendo com que cada meio real aprovado valha menos. Imagine que uma demora de alguns dias de uma cotação de equipamento são o suficiente para inviabilizar uma compra que não era opcional. Isso quando o dinheiro vem.

Pelo menos, ainda estamos na fase da derrota, não do desespero. Ainda. O desespero vem quando o maior número de doutores já formado se deparar com um mercado de trabalho em crise e sem demanda nenhuma por mão-de-obra tão capacitada, órgãos públicos sem novas vagas e impossibilitados de abrir concurso e uma possível obrigação de permanecer alguns anos no país, depois de uma bolsa no exterior com essa obrigação. Pelos menos os jornalistas demitidos não se sentirão mais como os profissionais mais bem formados e mal pagos do mercado. Mas, como disse, parte da culpa pelo que está acontecendo é nossa.

Em uma crise onde os gastos públicos precisam ser cortados a qualquer curso, por onde o governo começa? Serviços não essenciais, gastos exorbitantes, assessores e privilégios de gabinete desnecessários? A não ser que você queira acabar com qualquer chance de eleição, se começa pelo que perde menos apoio político e menos votos. E é aqui que o ostracismo acadêmico nos condena. Se o governo quiser fazer cortes agressivos sem incomodar nenhum eleitor, a ciência é um alvo ridiculamente fácil.

Pare qualquer transeunte na rua e pergunte o que muda na vida dessa pessoa se a pesquisa brasileira deixar de ser financiada e conte quantos serão capazes de dar alguma resposta. Pergunte o que ele acha que um professor ou um pesquisador faz dentro da universidade. Ou em quais áreas o Brasil é líder em pesquisa. Ou pelo menos em quais áreas somos fortes. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) perguntaram exatamente isso e descobriram que 87% dos brasileiros não lembram o nome de uma instituição de pesquisa. Uma. E 94% dos entrevistados não sabiam o nome de um(a) pesquisador(a) brasileiro(a), o pior resultado desde que a pesquisa começou. E o 8º cientista brasileiro nomeado foi… Albert Einstein. Isso porque a maior parte dos que responderam se disseram interessados por ciência.

A universidade ainda é um espaço para privilegiados que conseguiram passar nos vestibulares, entre eles o que vos fala. Não é um espaço popular – nem digo que deveria ser. E, mesmo assim, não são as vagas de graduação que estão sendo cortadas, embora não duvide que a situação chegue a esse ponto. O maior destaque que a USP, universidade que mais publica pesquisa no país recebeu na imprensa recentemente foi justamente como seriam exorbitantes os salários de seus professores. Que empatia pública isso gera?

No Workshop Comunicação e Pesquisa realizado este ano, que não poupou elogios sobre a importância e o prestígio da USP, o jornalista de ciência Marcelo Leite apontou o que vê como as maiores dificuldades para o jornalismo científico ter acesso à pesquisa da universidade. Quando destacou que com dois cliques nas páginas de Harvard, conseguia achar o nome e telefone de um dos biólogos mais prestigiosos da atualidade, E. O. Wilson – na verdade, só precisei escrever E O Wilson Harvard no Google e achei o link no primeiro resultado. E o pior, se um jornalista ligar para aquele número, Wilson atende e está disposto a dar entrevista. Enquanto o Portal da USP atrapalha mais do que ajuda. O que Marcelo Leite não citou é o incentivo que motiva a diferença: pesquisadores americanos dependem dessas entrevistas para ter verba para pesquisa. Aqui no Brasil, pelo menos até os dias atuais, nós não dependemos. Enquanto o pesquisador americano depende de várias fontes de financiamento que muitas vezes são incentivadas pelo destaque que ele tem na mídia, cientistas brasileiros são julgados pelo quanto e onde publicam, ou até pelo número de alunos que formam. Mas ninguém é julgado pelas atividades de extensão e divulgação científica que fazem. O resultado é que, para o cientista brasileiro, dar entrevista é literalmente perda de tempo (a curto prazo, vamos chegar nas consequências logo mais); tempo que se for investido gerando dados, gerenciando alunos ou escrevendo publicações seria convertido em verba para o laboratório.

Até bem pouco tempo, vivemos a situação cômoda de ter um orçamento público garantido que não demanda nenhuma satisfação sobre o que é feito além de projetos bem apresentados, gastos regulares e publicações científicas. Note que os três são fundamentais, mas nossas obrigações dialogam só com duas parcelas de interessados, a parte política através das agências de fomento e os outros cientistas, através das publicações. Nenhuma das duas envolve quem desembolsou o dinheiro: o público. Nos contentamos com o prestígio dos pares. O resultado é que raramente o público é informado sobre o que financia. Não sabem o que se passa dentro da universidade, porque financiam pesquisa e a compra de equipamentos caríssimos entre outros, vide a pesquisa do MCTI.

A NASA é um ótimo exemplo da importância da divulgação científica e do apoio popular. Dependem de verbas colossais para qualquer coisa, uma latrina na estação espacial custa milhões de verdade. E a maior parte desse financiamento é público. Ou seja, precisam de todo o apoio popular que conseguirem. Por isso mesmo fazem tanta divulgação da pesquisa que desenvolvem, convidam a imprensa para fazer estardalhaço de cada novo possível planeta que descobrem, divulgam as fotos lindas das missões e dos telescópios que usam. Como a foto que usei na abertura do post. O público americano sabe porque está financiando a NASA.

Tão importante para a SBPC quanto escrever manifestos e cartas pedindo o aumento do investimento em pesquisa é falar para o público o quão importante a pesquisa éPrecisamos falar sobre ciência, explicar o que é a pesquisa, fazer divulgação, dar entrevistas, fazer vídeos, contar histórias sobre o que queremos defender. Se eu consigo falar com 1 milhão de pessoas no YouTube, não é possível que as universidades não possam fazer o mesmo. Agir para ter o apoio e reconhecimento popular é tão importante quanto cobrar mudanças políticas. Ou são as Olimpíadas que estão sofrendo corte de verba?

A Dilma sabe qual a importância da pesquisa e do prejuízo futuro de acabar com a pesquisa nacional (espero). Os outros cientistas e acadêmicos sabem o prestígio que a pesquisa tem. Mas em um tempo em que estamos vendendo o jantar de amanhã para ter o que almoçar hoje, algo que só terá impacto negativo no futuro e será completamente ignorado pela população é o alvo mais fácil. Lembre-se, 87,2% não sabem nomear uma instituição de pesquisa. Somos como o Tyrion quando Mão Direita do rei (sinto pelos spoilers tão repentinos): fazendo um serviço essencial para o público (de novo, espero) que pode até ser reconhecido pelos pares, mas sem o menor apoio ou reconhecimento popular. E agora estamos na rua tentando convencer os transeuntes de que fazíamos algo importante.

 

Tyrion
É mais ou menos assim que imagino os pesquisadores brasileiros em 2016.
Texto escrito por: Atila Lamarino
Vale a pena ir lá no site dele e ler os mais de 100 comentários do post.

Baleias cachalotes não só tem linguagem própria, como aprendem umas com as outras


Novas maneiras de caçar o jantar, truques para usar uma ferramenta e dialeto local. Estes são comportamentos que animais como orcas, chimpanzés e pássaros exibem, e que ensinam uns aos outros. Isso sugere um componente cultural para as suas vidas.

Agora, um novo estudo afirma que a baleia cachalote deve ser adicionada a essa lista de bichos incríveis com cultura própria.

O mar em torno das Ilhas Galápagos hospeda milhares de cachalotes fêmeas e seus bebês, que se organizaram em clãs com os seus próprios dialetos. Os machos adultos se reúnem em águas mais frias próximas aos polos.

Contudo, como estes clãs eram formados tinha sido um mistério até agora.

Um estudo publicado recentemente sugere que cultura e comportamentos compartilhados por membros do grupo é o fator que mantém estes clãs juntos. Especificamente, estas baleias têm uma série distinta de cliques chamados “codas” que usam para se comunicar durante as interações sociais.

As cachalotes com comportamentos semelhantes passam algum tempo juntas, e isso faz com que aprendam as vocalizações uma da outra. Os cientistas chamam isso de aprendizado social. Baleias que “falam a mesma língua” se mantêm próximas, dando origem aos clãs que os pesquisadores têm observado há mais de 30 anos.

Por que isso é tão importante?

Este é mais um pilar de apoio para a ideia de que os animais têm uma cultura própria, como explica o autor do estudo, Mauricio Cantor, biólogo marinho da Universidade de Dalhousie em Halifax, no Canadá.

Quando Cantor e seus colegas fizeram simulações de computador para determinar a forma mais provável pela qual os clãs eram formados, fatores como o parentesco genético ou a transmissão de informações da mãe à sua prole não explicavam o padrão observado na natureza.

A melhor explicação que a análise pode encontrar foi uma preferência na forma como as cachalotes aprendem vocalizações, de forma que os indivíduos podem entender uns aos outros.

O cenário geral

É fascinante ver que animais como as baleias exibem algo que pode parecer exclusivamente humano. Isso seria um alvará para afirmarmos que, bem, não somos tão diferentes assim dos outros animais.

As baleias orcas também têm seus próprios dialetos, as baleias jubarte alternam novos comportamentos alimentares através de suas redes sociais, e os chimpanzés compartilham segredos da utilização de ferramentas com seus compatriotas.

Mauricio Cantor espera que, aprendendo mais e mais sobre esses animais, as pessoas fiquem cada vez mais comovidas a pensar sobre o meio ambiente e, talvez, agir sobre campanhas para a conservação do planeta.

Qual é o próximo passo?

Cantor e seus colegas planejam pesquisar dados sobre os clãs de cachalotes de 30 anos atrás e compará-los com os clãs atuais. Assim, eles têm a expectativa de saber como as vocalizações mudaram ao longo do tempo.

Fonte: http://hypescience.com/linguagem-da-baleia-cachalote-da-dicas-de-sua-cultura/

USP de São Carlos oferece ferramentas on-line para redação científica


Diego Freire | Agência FAPESP – Com o objetivo de auxiliar a comunidade acadêmica na redação de trabalhos científicos, a Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos mantém o Portal da Escrita Científica, que reúne ferramentas de apoio à produção de artigos, dissertações, teses e outras publicações, gerenciamento de referências bibliográficas, editoração e outros recursos.

Iniciativa de docentes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) e da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), implementada em parceria com a Prefeitura do Campus (PUSP-SC) e colaboradores das bibliotecas de todas as unidades, o portal funciona como um repositório de ferramentas e orientações para alunos e pesquisadores interessados em aperfeiçoar a escrita científica.

Entre os recursos oferecidos estão materiais informativos e didáticos, cursos on-line, videoaulas, workshops, tutoriais e ferramentas computacionais de auxílio à escrita em português e em inglês desenvolvidas pelo ICMC, que auxiliam na organização da estrutura e do conteúdo dos trabalhos.

“Para escrever um trabalho científico é necessário considerar uma série de elementos, desde o problema abordado, a metodologia adotada, os resultados e as contribuições para a literatura de determinada área e, muitas vezes, para a sociedade em geral. O portal busca auxiliar no processo de redação como um todo, oferecendo auxílio nas diversas etapas da produção”, disse Osvaldo Novais de Oliveira Júnior, do IFSC, presidente da Comissão de Implantação do portal.

As ferramentas auxiliam especialmente no que Oliveira Júnior considera ser a maior dificuldade enfrentada pelos autores: a estrutura dos textos.

“Diante do desconhecimento da estrutura do artigo científico, um problema muito comum no meio acadêmico, o portal trabalha com modelos que podem ser padronizados respeitando as particularidades de cada área e diferenças na escrita para audiências específicas ou mais amplas, considerando sempre a clareza e a concisão.”

Ferramentas

Entre os recursos disponibilizados gratuitamente pelo portal estão os que os desenvolvedores chamam de “ambientes para a escrita”, um conjunto de ferramentas computacionais que dão suporte a partes do processo de redação, do agrupamento das ideias à composição de um texto contínuo, com editores gráficos.

O SCiPo, por exemplo, é uma ferramenta de suporte à escrita que auxilia na redação de resumos e introduções com base em modelos de textos científicos em português, elaborados a partir de teses e dissertações de várias áreas de pesquisa disponíveis para o redator apreender a estruturação retórica do texto.

A produção realizada pela ferramenta passa ainda por uma etapa de críticas, na qual uma estrutura proposta é avaliada pelo sistema, e por uma etapa de classificação de um resumo já escrito.

Já o SCiEn-Produção é um conjunto de ferramentas computacionais para auxiliar na redação de artigos científicos em inglês. Adaptado do SciPo-Farmácia, o recurso se baseia na análise de textos da área de Engenharia de Produção.

Há ainda uma série de outras ferramentas desenvolvidas em específico para diversos campos do conhecimento, como o CALeSE, software de suporte à escrita de introduções com textos modelos da área de Física.

O portal oferece também ferramentas antiplágio, como o software AntiPlagiarist – ACNP, que compara múltiplos documentos rapidamente, procurando por trechos de textos que foram copiados. Os fragmentos suspeitos são relatados em um formato de fácil compreensão, com os números das linhas e das colunas em que foram encontrados.

Os recursos disponibilizados incluem ainda ferramentas de gestão bibliográfica, como o Citation Machine, gerador automático de citação e referência que ajuda estudantes e pesquisadores a citar corretamente as fontes utilizadas, em vários estilos, e o CiteUlike, site colaborativo que permite armazenar, organizar e partilhar informação bibliográfica.

Os serviços do Portal da Escrita Científica da USP de São Carlos podem ser acessados em www.escritacientifica.sc.usp.br.

Fonte: http://agencia.fapesp.br/usp_de_sao_carlos_oferece_ferramentas_online_para_redacao_cientifica/21072/

Três dicas das neurociências para incrementar sua memória


Todos nós sabemos que aprender não se resume simplesmente em memorizar. No entanto o aprendizado efetivo precisa de uma memória bem concatenada e vitaminada para não dar branco na hora H.

Daí a importância de manter essas engrenagens bem azeitadas.

Trazemos aqui algumas dicas fundamentadas em recentes conquistas das neurociências e que intuitivamente alguns estudantes já utilizam com excelentes resultados, tanto para incrementar sua memória quanto o aprendizado.

  1. Realizar conexões em rede

Toda a informação nova quando conectada a pelo menos uma informação já memorizada tem maiores chances de ser recordada. À medida que o número de conexões vai aumentando a probabilidade de resgate dessa nova informação na memória vai se aproximando dos 100%.

Um dos exemplos mais singelos dessa aplicação é o utilizado por alguns políticos, quando não querem esquecer o nome de um eleitor. Eles simplesmente associam mentalmente o nome desse eleitor ao de outra pessoa de mesmo nome e que pertença a seu contato mais corriqueiro, seja por alguma característica física ou aspecto de sua personalidade que apresentam em comum. Logo, logo terá uma rede de Josés, Eduardos, Marias, etc armazenada em sua memória.

Notadamente quando estamos estudando conceitos científicos, por exemplo, e efetuando conexões entre as informações dentro desse próprio campo de estudo, ocorre um favorecimento pronunciado do aprendizado como um todo, não apenas a simples memorização de um conceito, mas sua compreensão como parte de um corpo harmônico de conhecimentos.

  1. Utilizar o potencial emocional-afetivo

Está comprovado que as emoções, os sentimentos e as relações de afeto interferem significativamente na construção das memórias e de seu resgate.

Efetivamente quando colocamos “o coração” naquilo que fazemos as chances de que o recordemos são maiores.

É daí que etimologicamente se origina o saber de “cor” (cor = coração em latim).

Tais vínculos podem ser naturais, como por exemplo, a facilidade que temos em recordar os momentos mais felizes (ou os mais tristes) de nossas vidas.

Ou mesmo a vinculação de lugares, cores, odores, sabores e sons aos sentimentos, ou estados emocionais vividos. Como o cheiro da terra molhada que reacende recordações vívidas da infância ou ouvir tal música que faz recordar as sensações vividas em determinado momento da adolescência, etc.

Ou de aprender aquele conteúdo que gostamos ou estamos inclinados a gostar.

Também esse tipo de vinculação pode ser criado, como, por exemplo, a facilidade que encontramos em aprender os conteúdos ministrados por professores bem humorados e que usam do lúdico como uma de suas técnicas de ensino e que também são capazes de invocar as emoções mais elevadas no instante em que ensinam.

Daí que o favorecimento da memória, e também do aprendizado, dependem fundamentalmente de nosso estado emocional.

Cabe então aquela perguntinha incômoda: estou motivado para aprender? Quero mesmo aprender isso?

Nas palavras de Rubem Alves o esquecimento é o vômito da mente.  E o ato de vomitar alguma coisa inútil ou — que não nos faz bem — é sinal de saúde!

  1. Realizar reiterações

Muitos estudantes utilizam a técnica de repetir em voz alta uma informação a ser memorizada ou até mesmo escrever várias vezes em papeis de rascunho a fórmula matemática, a equação química ou o termo da biologia e assim por diante.

A repetição em si favorece a memorização, como o observado, por exemplo, no aprendizado de idiomas, de técnicas esportivas, de coreografias, etc.

No entanto, a repetição tende a ser exaustiva e na maioria das vezes monótona e os resultados nem sempre são os esperados quando computado todo o esforço.

Por isso, no lugar de simplesmente repetir mecanicamente é recomentada a reiteração, ou seja a repetição vinculada ao uso de um corpo completo daquele tipo de conhecimento.

Numa analogia: é bem mais produtivo, numa aula de um idioma estrangeiro utilizar vocábulos de forma reiterada como parte de uma conversação do que simplesmente repeti-los isoladamente.

Reiterar é reviver várias vezes aquela experiência com um aprendizado a mais em cada uma de suas repetições. Em suma, repetir e aperfeiçoar.

Bônus: uma reflexão filosófica

A reiteração usa a repetição de forma inteligente e conectada, valendo-se tanto da conexão cognitiva feita pela natureza da informação quanto da forma sensível-afetiva envolvida valendo-se da intensidade de sua carga emocional.

Se observarmos nossa vida diária, existe uma rotina que segue ciclos mais ou menos constantes e repetidos.

Podemos utilizar esses ciclos para reiterar nossa capacidade retentiva, melhorando nossa capacidade de recordar e também de aprender ou, como muitos fazem, ligar o piloto automático e deixar a vida passar sem ensinar e nem aprender nada.

A escolha é nossa:

Fazermos da nossa vida uma experiência memorável ou deixar passar, pois afinal não há nada que valha à pena recordar.

Fonte: http://hypescience.com/tres-dicas-das-neurociencias-para-incrementar-sua-memoria/

Ninguém podia ver a cor azul até os tempos modernos


blue eyes

Todo mundo que já entrou em uma discussão sobre a cor de algum objeto vai entender quando eu disser que nós não vemos tudo exatamente igual.

O jeito que vemos as cores é influenciado por vários fatores, inclusive linguagem e cultura. Por exemplo, a ciência sugere que seres humanos podem não notar até mesmo coisas tão fundamentais como uma cor, a menos que tenham uma maneira de descrevê-las.

Uma prova pode ser que, até relativamente pouco tempo atrás na história da humanidade, o “azul” não existia.

As línguas antigas não têm uma palavra para o azul – nem grego, nem chinês, nem japonês, nem hebraico. E sem uma palavra para a cor, não há evidências de que esses povos antigos sequer “viam” o azul.

Referências pouco coloridas

Na famosa obra “Odisseia”, Homero descreve o mar como sendo “cor de vinho escuro”. Mas por que “vinho escuro” e não azul ou verde escuro, por exemplo?

Em 1858, um estudioso chamado William Gladstone, que mais tarde tornou-se o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, percebeu que esta não era a única descrição estranha de cor nesse livro. Ele notou que ferro e ovelhas eram descritos como violeta, e o mel como verde.

Então, Gladstone decidiu contar as referências de cores no conhecido texto. Enquanto o preto é mencionado quase 200 vezes e o branco 100, outras cores são raras. O vermelho é mencionado menos de 15 vezes, e amarelo e verde menos de 10. Gladstone começou a olhar para outros textos gregos antigos, e notou o mesmo padrão – não havia nada descrito como “azul”. A palavra nem sequer existia.

Gladstone pensou que isso fosse talvez único dos gregos, mas um filólogo, chamado Lazarus Geiger, continuou seu trabalho e percebeu que isso era verdade para todas as culturas.

Ele estudou sagas islandesas, o Alcorão, histórias antigas chinesas e uma antiga versão da Bíblia Hebraica.

Sobre os hinos hindus védicos, ele escreveu: “Esses hinos, de mais de dez mil linhas, estão repletos de descrições dos céus”. Os textos citavam o sol e a vermelhidão da aurora, o dia e a noite, nuvens e relâmpagos, ar e éter… “Mas há uma coisa que ninguém nunca iria aprender com essas músicas antigas, que o céu é azul”.

Geiger decidiu procurar quando o azul apareceu nas línguas, e encontrou um padrão bastante consistente.

A invenção das cores

Cada língua teve primeiro uma palavra para o preto e para o branco, ou a escuridão e a luz. A próxima palavra para uma cor – em todas as línguas estudadas em todo o mundo – foi o vermelho, a cor do sangue e do vinho.

Depois do vermelho, historicamente, aparece o amarelo, e mais tarde o verde (embora em poucas línguas, o verde tenha vindo primeiro que o amarelo). A última das cores a aparecer em todas as línguas é o azul.

Ao que tudo indica, a única cultura antiga que desenvolveu uma palavra para o azul foram os egípcios. Eles também eram que tinham uma maneira de produzir um corante azul.

A ligação entre ver e nomear

Os egípcios podem ter sido os primeiros a inventar um nome para essa cor porque podiam produzi-la.

Se você pensar sobre isso, o azul não aparece muito na natureza – quase não há animais azuis, olhos azuis são raros, e flores azuis são na sua maioria criações humanas.

Você pode até pensar que tudo isso não importa, uma vez que o céu é obviamente azul, e por isso todos nós devíamos conhecer essa cor de longa data. Agora, e se eu te chocar e disser que o céu não é, evidentemente, azul?

Kettleman City California

O pesquisador Guy Deutscher tentou uma experiência casual com o tema. Em teoria, uma das primeiras perguntas das crianças é “por que o céu é azul?”. Então ele criou sua filha tendo o cuidado de nunca descrever a cor do céu para ela. Um belo dia, lhe perguntou que cor ela via quando olhava para cima. A garota não tinha ideia. O céu, para ela, era incolor. Eventualmente, ela decidiu que era branco, e mais tarde, azul. Mas o azul definitivamente não foi a primeira cor que ela pensou.

Será que os povos antigos não conseguiam ver o azul?

Hum… Não dá para ter certeza. Enquanto não temos ideia do que Homero via quando descreveu o mar como cor de vinho, sabemos que os antigos gregos tinham a mesma biologia que nós e, por isso, podemos supor que tinham a mesma capacidade de ver cores que nós.
Mas você realmente vê alguma coisa, se não tem uma palavra para isso?

Um pesquisador chamado Jules Davidoff viajou à Namíbia para realizar um experimento com a tribo Himba, que possui uma língua que não tem palavra para azul ou distinção entre o azul e o verde.

Quando os membros da tribo tinham que escolher o quadrado diferente em um círculo com 11 quadrados verdes e um azul, não sabiam qual ele era. Os poucos que podiam ver uma diferença levaram muito mais tempo e fizeram mais erros do que faria sentido para nós, que claramente vemos o quadrado azul.

blue squares

Mas os Himba têm mais palavras para tipos de verde do que outras línguas, como o inglês. Ao olhar para um círculo de quadrados verdes com apenas um com tom um pouco diferente do resto, eles puderam detectar imediatamente o diferente. Você pode? Tente:

green squares himba

Para a maioria de nós, isso é muito mais difícil. Este é o quadrado de tonalidade diferente:

Vidipedia/Himba Colour Experiment

Davidoff diz que sem uma palavra para uma cor, sem uma forma de identificá-la como diferente, é muito mais difícil para nós perceber o que é único sobre ela – mesmo que os nossos olhos estejam vendo fisicamente todos os tons.

Portanto, antes de o azul tornar-se um conceito comum, talvez os seres humanos o viam, mas não notavam nada de especial sobre ele.

Fontes:

Como os cachorros usam seus rabos para falar?


Nada é indicador maior de felicidade do que um cão abanando o rabo. Esse é o principal método de comunicação do melhor amigo do homem, mas o que aconteceria com os cães se eles não tivessem cauda?

A especialista Monique Udell, fundadora do Laboratório de Cognição e Comportamento Caninos na Universidade da Flórida em Gainesville (EUA), explica que, se um animal de estimação perde sua cauda devido a raça, acidente ou procedimento cosmético, isto tem um impacto na sua capacidade de se comunicar com humanos e outros animais.

Por exemplo, os cães com caudas cortadas ou raças com caudas curtas ou encaracoladas, como pugs, não têm a gama de expressão que um cão com uma longa cauda tem. Mas, felizmente, eles podem compensar com outras partes do corpo para mostrar suas emoções.

O rabo, decodificado

Em geral, um cachorro enfia o rabo entre as pernas para transmitir submissão, um sinal importante para outros cães. Ele também pode ser usado para proteger a área genital – o que o torna também funcional.

Os cachorros cobrem sua área genital com suas caudas se não estão prontos para confiar em outro colega de espécie. Isso porque os eles obtêm informações uns sobre os outros ao cheirar as glândulas odoríferas na sua área anal. Assim, exposição desta área é um sinal de confiança.

“Dobrar a cauda [nessa situação] é uma maneira de dizer: ‘Eu estou nervoso… Eu realmente não quero ter essa interação’, assim como um ser humano faz ao cruzar os braços e se afastar”.

Também existem as balançadas de rabo. Monique conta que os cães nem sempre abanam suas caudas pelo mesmo motivo e nem todas as vezes isso significa que estão sendo simpáticos. A cauda relaxada com uma sacudidela entusiástica ou circular é algo amigável ou brincalhão; já se ela for mais lenta, com o corpo mais tensionado, é um sinal para que outras criaturas se afastem.

A verdade sobre os pelos eriçados

Felizmente, os cães que têm problemas em suas caudas têm uma estratégia de emergência. Os cães têm pelos mais duros, que vão do seu pescoço até a cauda, que também usam para se comunicar. A pesquisadora diz que eles são extremamente informativos.

Muita gente acredita que quando estes pelos estão eriçados, indicam agressividade, mas, na verdade, eles transmitem vários tipos de emoções além dessa, incluindo medo ou animação. “Quando minha cachorrinha era um filhote, suas penugens levantam quando trazíamos um brinquedo novo, porque ela ficava muito animada”, lembra.

Porém, com cruzamentos em várias gerações focando na aparência física, tem surgido uma dificuldade para desenvolver esta característica em algumas raças. Os poodles e os galgos afegãos, criados para terem uma pelagem cada vez mais impressionante, ainda conseguem eriçar os pelos das costas, mas isso pode ser obscurecido pelo peso de seus longos pelos. É comum em cães domésticos e em raças que foram modificadas que “às vezes, os sinais não coincidam com o seu comportamento”, e até mesmo pessoas treinadas para trabalhar com cães podem se confundir.

As expressões faciais são também um sinal de cão para cão, e diferentes raças as controlam de forma diferente. Por exemplo, dentes arreganhados podem sinalizar agressão. Contudo, assim como no caso dos pelos, os cruzamentos podem prejudicar estes sinais, como no caso dos buldogues. “Esses cães parecer mais ferozes, e isso pode ser porque seus lábios não conseguem cobrir os dentes”, relata a especialista.

Conheça sua raça

Como os cães têm tanta diversidade, familiarizar-se com os estilos de comunicação da raça do seu pode ajudar bastante. Segundo ela, os cachorros “assistem seus donos durante todo o dia”, e as suas observações os tornam mais capazes de dar respostas a nós como indivíduos. “Se fizéssemos a mesma coisa com os nossos cães, poderíamos aprender um monte de coisas interessantes”.

Fonte: http://hypescience.com/como-os-cachorros-usam-seus-rabos-para-falar/