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Entenda por que o trabalho dos morcegos pode ‘valer’ US$ 1 bilhão


Thinkstock: Morcegos estão ameaçados por perda de habitat e propagação de doenças
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Quanto vale o serviço que os morcegos prestam ao meio ambiente?

Segundo um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Science, esses mamíferos trazem benefícios ao mundo que podem ser quantificados em cerca de US$ 1 bilhão (R$ 3,6 bilhões na cotação atual).

Isso porque os morcegos que comem insetos ajudam a manter sob controle pragas que destroem plantações de milho.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão por meio de uma série de experimentos para avaliar a importância econômica e ecológica desse mamífero noturno para os agricultores.

“Os resultados desse estudo atestam o valor dos ecossistemas”, diz Josiah Maine, coautor do estudo da Universidade Southern Illinois, nos Estados Unidos.

Mas a situação é desfavorável para os morcegos, que estão ameaçados pela perda de seu habitat e por doenças.

Na América do Norte, por exemplo, muitas populações estão sendo afetadas pela chamada síndrome do nariz branco, provocada por um fungo. Desde 2007, essa doença matou milhões de morcegos e continua a se propagar.

O Centro Nacional de Saúde para Vida Silvestre dos EUA estima que, no nordeste do país, a população de morcegos tenha se reduzido em cerca de 80% desde que os primeiros casos fatais foram reportados.

“Ainda não são conhecidas as reais consequências ecológicas da atual redução em grande escala das populações de morcegos que hibernam. Mas os agricultores sentem o impacto”, diz o centro.

Mais morcegos, menos pesticidas

Maine afirmou que seu objetivo era descobrir o quão eficazes eram os morcegos em prover controle de pragas em cultivos de milho.

A equipe construiu um série de cercados (áreas de experiências controladas a céu aberto), de 20m por 20m e com 7 metros de altura, com redes suspensas por cabos.

“As redes permitiam que os insetos se movessem livremente, mas impediam morcegos de buscar alimento nessas áreas”, explica o pesquisador.

Thinkstock: Estimativa considera apenas ação de morcegos em plantações de milho

© Copyright British Broadcasting Corporation 2015. Estimativa considera apenas ação de morcegos em plantações de milho

“Como só queríamos excluir os morcegos, construímos o local de forma que as redes pudessem ser abertas durante o dia para deixar pássaros entrarem.”

Com os dados coletados em campo e com outros estudos anteriores, os pesquisadores puderam extrapolar os resultados a uma escala global e estimar o valor monetário dos serviços prestados pelos morcegos no controle de insetos em plantações de milho.

“Estimamos que a supressão de herbívoros graças a estes morcegos que comem insetos tem um valor global superior a US$ 1 bilhão, levando em conta apenas esse cultivo”, dizem os autores.

E essa cifra, disse Maine à BBC, não leva em consideração “a redução no uso de pesticidas nas plantações, já que os morcegos podem dar a agricultura um serviço valioso adicional ao reduzir as populações de insetos abaixo do limiar em que pesticidas seriam necessários.”

Amigos dos agricultores

Segundo o Grupo Especializado em Morcegos (BSG, na sigla em inglês) da União Internacional para a Conservação da Natureza, as espécies de morcegos equivalem a um quinto de todos os mamíferos terrestres.

Além de serem importantes predadores de insetos, são também cruciais para dispersar sementes e polinizar diversas plantas.

“Estão entre as criaturas mais ameaçadas do mundo, principalmente porque grande parte de seu habitat foi eliminado pelo desenvolvimento humano ou porque são muito perseguidos”, aponta o BSG.

“Seu desaparecimento tem consequências graves para os ecossistemas que habitam.”

Um estudo publicado na revista Science em 2011 adverte que a redução de espécies na América do Norte poderia gerar perdas no setor da agricultura de cerca de US$ 3,7 bilhões por ano.

Os autores advertem sobre a necessidade urgente de educar o público e legisladores sobre a importância ecológica e econômica desses mamíferos.

“Os morcegos são demonizados na mídia e o público tem medo deles. Se pudermos demonstrar o valor e o impacto positivo dos morcegos, isso será bom para a espécie e para a sociedade”, enfatiza Maine.

“A conservação é necessária não apenas do ponto de vista ético, mas também econômico.”

*Matéria sugerida pelo meu irmão Epitácio Donato!

Fonte: http://www.msn.com/pt-br/noticias/curiosidades/entenda-por-que-o-trabalho-dos-morcegos-pode-%E2%80%98valer%E2%80%99-usdollar-1-bilh%C3%A3o/ar-AAennU2?li=AAaB4xI&ocid=mailsignoutmd

OFICINA AVALIA PAN CAVERNAS DO SÃO FRANCISCO


Ideia é criar estratégia de conservação e desenvolvimento sustentável desses ambientes

Oficina avalia PAN Cavernas do São Francisco

Lorene Lima
lorene.cunha@icmbio.gov.br

Brasília (16/10/2014) – A Academia Nacional da Biodiversidade (Acadebio) recebeu as oficinas da Terceira Monitoria da Avaliação Intermediária do Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação Cavernas do São Francisco. A atividade aconteceu em São Paulo entre os dias 06 e 11 de outubro. Participaram do evento 16 especialistas do Grupo de Assessoramento Técnico do Plano (GAT) de diversas instituições, como Universidade Federal de Sergipe, Universidade Federal do Oeste Baiano, Sociedade Brasileira de Espeleologia, Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade, Sociedade Semear, Vale S/A, Serviço Geológico do Brasil-CPRM e GeoBee Tecnologia da Informação. Na ocasião, foi realizado um balanço sobre a execução das ações e avaliados os indicadores e as metas a serem alcançadas.

Para conter a degradação que as cavernas veem sofrendo nos últimos anos, o Plano de Ação prevê a identificação de áreas prioritárias para a conservação e a estruturação do espeleoturismo, o que representará um importante avanço na integração da atividade econômica, sem prejuízos ao meio ambiente. O objetivo é desenvolver uma estratégia nacional de conservação e promoção do uso sustentável desses ambientes.

Leia também: ICMBio protege cavernas do São Francisco

“O aspecto relevante da elaboração deste plano, que é direcionado para um ecossistema que possui grandes impactos e carência de informações é, principalmente, direcionar os esforços coletivos para a sistematização e ampliação do conhecimento, além de definir orientações e estratégias para a gestão das cavidades naturais subterrâneas, que são um bem da União. Fazem parte de um ambiente frágil, têm legislação específica e, portanto, precisam ser conservadas. Como resultados, citamos vários termos de reciprocidades celebrados entre o Centro e parceiros, além de cursos de capacitação”, afirmou o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav), Jocy Cruz.

Utilizando como base os métodos de criação dos PANs voltados para espécies e o documento de estratégias para conservação de espécies da International Union for Conservation of Nature (IUCN, 2008), foram planejadas quatro oficinas preparatórias. As oficinas reuniram 130 representantes de 70 instituições, com sedes ou representações localizadas nas unidades da federação que abrangem a Bacia do rio São Francisco e entorno, presentes nos estados de AL, BA, CE, PE, PI, SE, MG, GO e DF.

Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/comunicacao/noticias/5051-oficina-avalia-pan-cavernas-do-sao-francisco.html

99% do plástico nos oceanos sumiram e ninguém sabe onde foram parar


Plastic bag floating underwater at Pulau Bunaken. Indonesia.

Nas semanas passadas, uma estranha notícia estarreceu os internautas interessados em ciência: a maior parte do plástico que os cientistas esperavam encontrar na superfície do oceano está desaparecida e ninguém sabe exatamente onde está. Agora, os profissionais por trás da pesquisa divulgaram na revista “National Geographic” um mapa pioneiro sobre o plástico nos oceanos que poderia ser a chave para resolver o mistério.

Como explica o estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”, deveria existir muito mais plástico flutuando na superfície do oceano do que há. Uma equipe liderada pelo ecologista marinho Andres Cozar Cabañas, da Universidade de Cádiz (Espanha), navegou o mundo durante nove meses coletando dados de superfície de todo o globo e encontrou esta notícia nada boa.

Na verdade, tal fato é bastante assustador. Não é como se o plástico que jogamos no oceano esteja simplesmente resolvendo o problema por nós. Ao invés disso, é provável que, uma vez que ele vá se quebrando em pedaços cada vez menores, os peixes o estejam comendo.

Se a dieta dos peixes não te interessa, vamos mudar a perspetiva. Graças à magia da cadeia alimentar, isto significa que também estamos comendo nosso próprio lixo – ah, o carma.

Como já sabemos, as correntes marítimas fazem com que estes resíduos naveguem enormes distâncias e se reúnam em ilhas de lixo que se formam em zonas de convergência. Na verdade, há todo um novo ecossistema em torno deste plástico, chamado de plastifera.

O primeiro mapa do plástico criado por Cozar e sua equipe tem como base mais de 3 mil amostras colhidas ao longo de sua expedição. As imagens abaixo mostram as zonas com maior acumulação e as dimensões destas ilhas.

Map shows plastic debris in surface water of world's oceans. Created in-house by Jamie Hawk (Ryan Morris).

Todo um campo de estudo está emergindo deste lixo que jogamos nos oceanos, incluindo um esforço para aprender como este mecanismo gigantesco funciona. “[Se] não sabemos onde ele está ou como está afetando os organismos, não podemos contar à população o quão grande é esse problema”, destaca Kara Lavender Law, da Associação de Educação do Mar.

Com o novo mapa, os estudiosos estão se dedicando a traçar um curso para serem capazes de falar sobre o plástico nos oceanos de maneira completa. A questão é se nós vamos ser inteligentes o suficiente para ouvir e agir.

Fonte: http://hypescience.com/99-plastico-nos-oceanos-sumiram-e-ninguem-sabe-onde-foram-parar/

Divulgação de artigo científico


Caros colegas,
 
Apresento a vocês artigo, derivado da minha dissertação, que acabou de ser publicado on line.
 
O trabalho apresenta um método para ranquear cavernas classificadas quanto a sua prioridade de conservação e restauração a partir de um Índice de Conservação de Cavernas (ICC).
Qualquer dúvidas e/ou críticas serão bem vindas.
Segue abaixo:
 
Um abraço,
Christiane Ramos Donato 

Apesar da falta de legislação, empresas já não utilizam testes em animais


Para ver a listagem completa das empresas que NÃO utilizam animais nos testes:

  1. Empresas nacionais que não usam animais em testes: http://www.pea.org.br/crueldade/testes/naotestam.htm
  2. Empresas internacionais que não usam animais em testes: http://www.mediapeta.com/peta/PDF/companiesdonttest.pdf

O povo brasileiro apoia o fim dos testes em animais. (Foto: ThinkStock)

Maus-tratos aos animais é um assunto sério. E muita gente levanta a bandeira em favor dos bichinhos: uns desistem de comer carne, outros não usam produtos com couro ou peles, e há aqueles que são terminantemente contra produtos testados em animais. A questão é que muitas empresas, incluindo as de cosméticos, sacrificam milhares de animais por ano em pesquisas para validação de batons, xampus e perfumes. Se você acha isso um absurdo, fique de olho! Organizações como a PEA (Projeto Esperança Animal) e a internacional PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) dão à sociedade um pouco mais de informação sobre o assunto e incluem nos seus arquivos o nome das empresas que adotaram o modelo “cruelty free” (livre de crueldade).

Mas o que é uma empresa “cruelty free“? A organização Humane Society International (HSI), outra que luta contra os testes, define como livre de crueldade “uma empresa que eliminou a experimentação animal em todos os níveis de produção a partir de uma data precisa. Isso se aplica aos testes de produtos acabados assim como testes de cada ingrediente”. E mais: a empresa assim denominada não pode vender seus produtos em países que exigem testes em animais, nem pode usar ingredientes novos que eventualmente levariam a realização de novos testes em animais. Além disso, deve garantir que todos os seus fornecedores de ingredientes se comprometam também a não fazer novos testes em animais.

O povo brasileiro apoia o fim dos testes em animais.

Recente pesquisa, realizada pela HSI/IBOPE, revelou que 67% da população se diz favorável à proibição dos testes em animais para cosméticos e seus ingredientes. Mas por aqui essa conversa ainda deve durar. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é quem estabelece e fiscaliza as normas desde a produção até o consumo final. Sobre o assunto, ela descreve em seu portal que “apesar da proibição para testes em animais ser uma tendência mundial, ainda não há uma legislação em vigência no Brasil a respeito”.

Ainda, segundo o órgão, “de acordo com o Guia para Avaliação de Segurança de Produtos Cosméticos, não é possível abandonar a utilização de animais na avaliação da segurança de produtos, por falta de métodos alternativos validados”. Então, não há previsão de uma legislação aos moldes da União Europeia.

Por lá os testes de cosméticos em animais são proibidos desde 2009. E, em março deste ano foi proibida a venda de produtos que passaram por esse tipo de testagem, incluindo os importados. Israel estava a frente da discussão e desde 2007 possui legislação para tratar o assunto. A Índia deu um basta nos testes em julho deste ano e segue rumo à outro passo importante: combater a terceirização dos testes de produtos indianos em outros países. A Coreia do Sul também se engajou na luta e busca, na letra da lei, acabar com a prática.

De acordo com a HSI, toda essa polêmica poderia ser amenizada se as empresas garantissem a segurança de seus produtos de outra forma. A proposta da organização é utilizar “os milhares de ingredientes existentes que possuem uma longa história de uso seguro, juntamente com o uso de um número crescente de métodos alternativos que não envolvem o uso de animais”.

Umas dizem sim, outras dizem não

A Natura diz, em seu site, que, desde 2006, aboliu o teste em animais. “Ao invés de utilizar animais em nossos testes utilizamos as mais avançadas técnicas mundiais de avaliação que incluem modelos computacionais, pesquisa e revisão contínua dos dados publicados em literatura científica do mundo todo e testes in vitro, que também são aceitos pela comunidade científica internacional”, justifica a empresa.

A gigante O Boticário deu um stop nos testes em 2000 mas foi recentemente questionada por consumidoras que receberam da empresa o seguinte comunicado: “O Boticário é uma empresa pioneira na construção de relacionamentos com seus consumidores e aproveita este momento para reforçar que a empresa não realiza testes que envolvam o uso de animais no desenvolvimento de seus produtos. Esta determinação interna consta da nossa política de atuação, que é comprovada pelos protocolos submetidos e aceitos pelos mais rigorosos órgãos governamentais de fiscalização e concebidos dentro de rígidos padrões nacionais e internacionais”.

A nova Jequiti, marca do Grupo Silvio Santos, é outra que entrou na onda politicamente correta e não testa em animais. Segundo a assessoria de imprensa da marca, “todos os produtos passam por pesquisas com alternativas viáveis que não incluem os testes em animais”.

Já a Unilever, que possui um plano de sustentabilidade considerado referência pelo mercado, ainda utiliza testes em animais mas diz que está comprometida com a eliminação dos mesmos. “Em situações em que testes em animais são exigidos por lei ou atualmente inevitáveis, nosso objetivo é minimizar o número de animais utilizados”, diz em comunicado.

Ao Yahoo, a  Johnson & Johnson enviou comunicado diante da polêmica com os animais: “A J&J esclarece que não realiza testes em animais para nenhum dos seus produtos de higiene e beleza produzidos no Brasil. Globalmente, a empresa não realiza testes em animais para nenhum dos seus produtos, de higiene e beleza, exceto em casos de exigência da legislação local de algum país em que a empresa esteja presente. A empresa apoia os esforços para eliminar o uso de testes em animais investindo recursos científicos no desenvolvimento e na comprovação de métodos alternativos, buscando suas validações, aceitação e adequações”.

Outras empresas grandes como Procter & Gamble, Pantene, Colgate-Palmolive, L´Oreal e L´Occitane figuram na lista das “non gratas”. No entanto, é muito difícil identificar todas as empresas que realizam testes em animais. É bom deixar claro que uma vez na lista das empresas que não testam em animais, não é garantia do “para sempre”. Algumas vão e voltam, como é o caso da AVON – que havia parado com os testes em 1989 – e da canadense MAC. As listas estão sujeitas à mudança pois algumas companhias que não fazem teste com animais aqui no Brasil precisam fazê-los para ter seus produtos em outros mercados milionários, como a China, por exemplo, onde esse tipo de teste é obrigatório desde 1990.

Ativistas pelos Direitos Animais do mundo inteiro esperam que, em breve, o mundo entenda que os testes em animais já não têm mais espaço. Para Andrew Rowan, presidente da Humane Society Internacional, “os testes de toxicidade em animais representam a ciência desatualizada; técnicas com décadas de idade, e que não podem garantir a segurança do consumidor. O futuro dos testes de segurança está nos métodos modernos baseados em biologia humana”, disse em carta aberta para a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

Mas como essa conversa começou? A polêmica dos beagles

Na sexta-feira, 18,, um grupo de ativistas invadiu o Instituto Royal e resgatou cães da raça beagle que eram usados em testes laboratoriais de produtos cosméticos e farmacêuticos. A empresa, no entanto, disse em nota que “realiza todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Anvisa”.

Os beagles são os cobaias preferidos nos laboratórios por serem animais dóceis. Só nos Estados Unidos estima-se que cerca de 70 mil beagles sejam utilizados em testes.

Fonte: http://br.mulher.yahoo.com/apesar-da-falta-legisla-o-empresas-j-n-202000480.html?page=all

A preciosa lama do mar


Sedimentos revelam a história climática e evolutiva de ambientes desaparecidos há milhares de anos. Coletas são feitas com o navio de pesquisa oceanográfica Alpha-Crucis (C.Fioravanti)

Por Carlos Fioravanti

Revista Pesquisa FAPESP – Do Alpha-Crucis – O mar está agitado e o navio balança muito nesta manhã de segunda-feira, 25 de fevereiro. As ondas entram no convés. Quatro homens de capacete branco e cobertos de água salgada puxam o cabo de aço com uma estrutura piramidal que oscila antes de assentar na superfície vermelha do convés. A pirâmide metálica finalmente traz 12 cilindros transparentes com uma amostra generosa da lama a 121 metros de profundidade, ao largo da ilha de São Sebastião, litoral norte paulista. Na tentativa anterior, a 47 metros, os cilindros trouxeram apenas água e areia, sem a desejada lama que 19 pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo buscaram durante nove dias em um cruzeiro no navio de pesquisa oceanográfica Alpha-Crucis.

Cada um por vez, Edilson de Oliveira Faria, Marcelo Rodrigues, Rodolfo Jasão Dias e Gilberto Dias carregam os cilindros e os depositam em uma caixa plástica. A lama que trazem é fina, grudenta, verde-escura, de cheiro desagradável. “É perfeita!”, comemora Till Hanebuth, professor da Universidade de Bremen, Alemanha, sentindo-a entre os dedos.

“O que é apenas lama para a maioria das pessoas tem muito significado para nós”, diz Michel Mahiques, diretor do instituto e coordenador científico da primeira parte da expedição, de 20 a 24 de fevereiro, centrada na identificação de lugares para a coleta de sedimentos em diferentes profundidades, realizada nos quatro dias seguintes.

“É o sedimento lamoso, como chamamos, que vai fornecer os melhores registros da história climática, ambiental e evolutiva de uma região.” Em estudos anteriores, as análises de sedimentos ajudaram a definir a variação do clima dos últimos 10 mil anos no litoral paulista e dos níveis de poluentes em Santos e em Iguape nos últimos 100 anos.

Por definição, essa massa de modelar que vem do fundo do mar é uma mistura de grãos com diâmetro inferior a 62 micrômetros, menor que o da areia. “Partículas de rochas ou de sal, restos de esqueletos, qualquer material pode formar a lama”, diz Samara Goya, técnica do IO e professora universitária em Santos. “A lama funciona como uma esponja, atraindo elementos químicos ou organismos dispersos na água. A areia tem uma estrutura fixa e não atrai outros materiais.”

O objetivo da viagem é identificar depósitos ou fluxos de lama, cujos elementos devem ajudar a reconstituir o ambiente e o clima regional, as correntes marinhas e a evolução do oceano Atlântico Sudoeste nos últimos 7 mil anos. O cruzeiro faz parte de um dos projetos apoiados pela Pró-Reitoria de Pesquisa por meio do programa Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs) e reúne pesquisadores do IO, do Instituto de Geociências e do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

“Esta é a nossa primeira expedição de cunho essencialmente geológico que ultrapassa os limites da plataforma continental desta região”, diz Michel, que prefere ser chamado pelo primeiro nome. Até agora, por falta de equipamentos adequados, era possível coletar sedimentos no máximo a 150 metros de profundidade.

“O Alpha-Crucis nos permite ir mais longe, mais fundo e com mais conforto que o Besnard”, ele diz, referindo-se ao navio Professor Besnard, desativado desde 2008. No dia 28, depois de percorrer quase 2 mil quilômetros, o Alpha-Crucis atracou em Santos, ao lado do antigo navio, com centenas de amostras de sedimentos de até 1.400 metros de profundidade.

“De onde vêm os sedimentos encontrados ao norte de São Sebastião? Não sabemos”, inquieta-se Michel. Os rios que deságuam nessa região são pequenos e aparentemente incapazes de transportar tanta areia e lama. Ao sul, a situação parece mais clara. Em trabalhos anteriores, Michel e outros pesquisadores do Instituto Oceanográfico concluíram que o rio da Prata, a quase 2 mil quilômetros de distância, deve ser a principal fonte da lama que chega até o sul da ilha de São Sebastião, empurrada pelas correntes marinhas.

De imediato, o mapeamento do fundo do mar realizado nos primeiros quatro dias de viagem forneceu indicações sobre a estabilidade do assoalho marinho, essencial para a extração de petróleo e gás natural, e sobre a possibilidade de escorregamentos de depósitos de sedimentos, que podem gerar tsunamis. Em 2002, uma massa enorme de sedimentos escorregou e empurrou o mar da costa da ilha de Stromboli, na Itália, causando um tsunami e agravando os efeitos de uma erupção vulcânica. Aparentemente, essa possibilidade é remota no litoral paulista.

Com base nas informações sobre o fundo do mar, Michel concluiu que uma hipótese sobre a movimentação de sedimentos da costa para o oceano neste trecho do litoral, que ele havia apresentado em 2004 com base em amostras de superfície, poderia estar mesmo correta.

“Agora estamos vendo efetivamente a migração de sedimento da costa para o fundo”, comenta. “Passamos por uma série de vales e canais, alguns com 5 quilômetros de largura e 160 metros de profundidade, que podem ter a função de receber e distribuir sedimentos.” Os gráficos sobre a variação da espessura e da consistência das camadas de areia e lama indicavam que o talude – a região mais profunda além da plataforma continental – tinha a forma de um anfiteatro, com o palco nas regiões mais profundas, como ele havia previsto.

Leia a reportagem completa em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/04/12/nove-dias-no-atlantico 

Fonte: http://agencia.fapesp.br/17146

Tubarão-touro de duas cabeças é encontrado no Golfo do México


Tubarão foi exposto pela Universidade da Flórida nesta segunda. (Foto: Shark Defense/Florida Keys Community Co …

Cientistas norte-americanos anunciaram nesta última segunda-feira (25) a descoberta do primeiro tubarão-touro de duas cabeças, no Golfo do México. O animal foi encontrado já sem vida por pescadores locais em 2011 e passou por análises desde então.

Animal conta com dois corações e dois estômagos. (Foto: Shark Defense/Florida Keys Community College)Também chamado de tubarão-cabeça-chata, o espécime conta com dois corações, dois estômagos e apenas uma cauda e duas nadadeiras. O animal foi estudado por pesquisadores acadêmicos de Michigan e da Flórida.

“Certamente é um dos casos mais interessantes e raros já detectados entre os animais desta espécie”, disse o professor assistente Michel Wagner, em entrevista ao departamento de imprensa da Universidade de Michigan.

“Foi muito bom termos documentado esta descoberta, mas agora precisamos encontrar outros casos como este para tentar descobrir as causas desta mutação”, continuou.

A dificuldade em encontrar espécimes com graves mutações ocorre já que grande parte delas morre pouco após o nascimento.

O tubarão-touro de duas cabeças foi descoberto dentro do útero de uma fêmea capturada por um pescador. Os pesquisadores afirmaram ainda que dificilmente o animal teria sobrevivido no meio ambiente.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/tubar%C3%A3o-touro-de-duas-cabe%C3%A7as-%C3%A9-encontrado-no-golfo-do-m%C3%A9xico-190039926.html

Em contínua construção…

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