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Obrigue o seu filho a limpar o prato e ele terá que viver com as consequências


Qualquer um que tenha filhos ou conviva constantemente com crianças conhece os sinais: depois de algumas garfadas, os pequenos começam a empurrar o brócolis para o canto do prato e ficam distraídos com qualquer coisa. É certo que em muito pouco tempo elas vão desistir e começar a reclamar da comida. E aí entram os pais, com a missão quase impossível de fazê-las “limpar o prato”.

Enquanto a maioria dos adultos são membros do Clube do Prato Limpo, comendo em média 90% da comida que servem a si mesmos, o mesmo não é válido para as crianças. Uma nova pesquisa da Universidade de Cornell agregou seis estudos diferentes com 326 crianças do ensino fundamental e mostrou que, se os pais não estão por perto, em média as crianças só comem 60% do que elas servem a si mesmas. Mais de um terço vai direto para o lixo.

Ao contrário dos adultos, as crianças ainda estão aprendendo quais alimentos gostam e quanta comida precisam para ficarem satisfeitos. “É natural que eles cometam alguns erros e peguem um alimento que não gostam ou coloquem demais no prato”, explica o pesquisador Brian Wansink, autor do livro “Slim by Design: Mindless Eating Solutions for Everyday Life” e diretor do Laboratório de Alimento e Marca de Cornell. “O que é menos natural é que eles sejam obrigados por seus pais a comer os seus ‘erros’”.

 

Forçá-los a comer sem fome pode atrapalhar a manutenção do peso e da dieta no futuro:

Além disso, os pequenos possuem mecanismos internos de autorregulação que informam seu cérebro quantas calorias eles estão consumindo. Forçá-los a consumir mais alimentos do que essas mensagens do organismo pode levá-los a comer excessivamente e desacostumá-los a acreditar nesses sinais do corpo, que lhes dizem quando estão satisfeitos.

Chantagem não é a melhor escolha:

A velha barganha de “Você só pode comer o pudim se terminar seus legumes” também não é a melhor estratégia. Estudos apontam que essa estratégia faz com que as crianças sejam menos propensas a se sentirem atraídas por comidas saudáveis e achem as sobremesas ainda mais apetitosas.

Ainda que nesse momento muitos pais estejam chorando em desespero porque agora seus filhos têm apoio científico para reclamar do almoço, calma. Não comer tudo não é o fim do mundo. “Eles mostram que as crianças que só comem de metade a dois terços dos alimentos que servem a si mesmos não estão sendo beligerantes ou desrespeitosos”, garante Wansink. “Elas estão apenas sendo crianças normais”.

Uma saída para fazer com que seus filhos tenham os nutrientes necessários sem forçá-los a comer mais do que o seu corpo manda é servir as refeições por partes – entrada, prato principal e sobremesa, por exemplo. Basta oferecer primeiro os alimentos mais saudáveis, já que a imagem de um prato cheio pode ser bastante impressionante. Outra sugestão é pedir para que as próprias crianças se sirvam.

Fonte: http://hypescience.com/porque-voce-nao-deve-obrigar-criancas-limparem-o-prato/

Dieta dos atletas: o que não pode faltar na mesa de um esportista


Saiba quais são os principais alimentos consumidos pelos profissionais diariamente, a função de cada um deles no organismo e o que nunca deve entrar no cardápio

Um belo prato de massa ou o tradicional arroz e feijão, com carnes, legumes e verduras. Parece simples manter uma dieta adequada, basta usar a criatividade na hora de cozinhar, certo? Será? Já imaginou como seria aquele happy hour sem poder tomar uma cervejinha, um refrigerante ou comer uns pasteizinhos com os amigos? E aquele churrasco no domingão sem uma picanha com gordura e a famosa caipirinha de limão? É assim que vivem os esportistas, longe desses alimentos que, além da comprometer a saúde, podem alterar a performance, causar envelhecimento precoce e baixar a imunidade. Saiba o que os atletas de alto rendimento consomem todos os dias para manter o peso e garantir energia na hora do treino.

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Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/dieta-atletas-n%C3%A3o-pode-faltar-mesa-esportista-161337413.html

 

Quer saber mais sobre como aumentar a massa magra ou volume dos músculos esqueléticos em seu corpo? Só acessar também:

  1. http://boaforma.abril.com.br/dieta/tipos-de-dieta-dietas-pro-musculos/8-alimentos-capazes-desenhar-curvas-687563.shtml
  2. http://wp.clicrbs.com.br/barradecereal/2013/07/11/10-alimentos-recomendados-para-quem-quer-ganhar-massa-magra/?topo=13,1,1,,,13

Como descobrir quais alimentos estão te fazendo mal?


Embora as alergias alimentares sejam relativamente raras (afetam cerca de 5% da população mundial), as intolerâncias alimentares são bastante comuns. Não é difícil conhecer um parente ou amigo que possua restrições na dieta por causa dessas intolerâncias, que se manifestam via de regra com sintomas como prisão de ventre, dificuldade em engolir, azia, inchaço e dores de cabeça. Mas como você faz para descobrir quais alimentos podem afetar você?

Para muitos problemas alérgicos e intolerância alimentar, a médica Amy Shah, especialista em Medicina Interna, Alergia e Imunologia, sugere a seus pacientes que cumpram uma dieta de restrição alimentar que varia de uma semana a um mês. “Depois de seguir este plano, muitos deles apresentam perda de peso, menos sintomas indesejados de menopausa ou TPM, diminuição do refluxo ácido, mais energia, sono de melhor qualidade, uma coloração mais viva da pele, entre muitos outros efeitos. Até eu fiquei surpresa no início”, diz.

Shah relata que, depois de observar muitos de seus pacientes terem estes efeitos colaterais positivos, a própria médica resolveu experimentar a dieta. Um mês depois, ela afirma ter chegado à conclusão de que o melhor para ela seria “parar de comer alguns destes alimentos de uma vez por todas”. Ou seja, mesmo que seu organismo nunca tiver manifestado claramente que não consegue lidar muito bem com alguns alimentos, quando essas comidas desapareceram da dieta, seu corpo agradece.

A médica ressalta, no entanto, que as alergias e as intolerâncias alimentares são duas situações bem distintas. A alergia alimentar é uma reação imunológica imediata, geralmente resultando em aperto na garganta, urticária e até anafilaxia. Mesmo uma quantidade microscópica de algum ingrediente em particular pode provocar uma reação séria, com risco de vida para a pessoa. Se você acha que tem uma alergia alimentar, Shah sugere que você consulte um médico imediatamente e não tente se autodiagnosticar devido à potencial gravidade do caso.

A intolerância alimentar, por outro lado, é geralmente uma reação retardada que pode causar problemas intestinais ou outros sintomas. Esta é uma área em que muita pesquisa está sendo conduzida sobre o sistema imunológico e outros mecanismos. Pesquisadores têm encontrado cada vez mais doenças que são afetadas pelos alimentos que comemos. Ou seja, estas intolerâncias alimentares podem causar todos os tipos de sintomas que vão desde dores de cabeça a inchaço abdominal.

Para descobrir a quais alimentos você pode ser intolerante, a médica Amy Shah desenvolveu um plano de eliminação de alimentos constituído de oito etapas que você pode fazer sozinho. De acordo com ela, o padrão utilizado neste experimento é muito confiável e os resultados obtidos são melhores do que com exames de sangue (cuja utilização para intolerâncias alimentares é controversa e não é aprovada pelos órgãos competentes):

  1. Tente ficar longe de laticínios, trigo, soja e ovos durante de duas a três semanas. Isto inclui iogurte, queijo, soro de leite e alimentos processados que utilizam o ovo como um de seus ingredientes.
  2. Adicione novamente à sua dieta um item acima de cada vez, com um espaço de tempo de três dias entre eles.
  3. Em seguida, pare de comer amendoim, mariscos e milho também por duas ou três semanas. Lembre-se de ler os rótulos dos produtos que você costuma consumir e perguntar os ingredientes dos pratos nos restaurantes.
  4. Inclua-os de volta um de cada vez com o mesmo intervalo de três dias.
  5. Remova de seu cardápio os frutos secos (como amêndoas, nozes, castanha de caju e do Pará etc) e todos os peixes por duas ou três semanas.
  6. Readicione os alimentos um a um com um espaço de tempo de três dias entre eles.
  7. Elimine todos os alimentos ou bebidas que contenham conservantes como o glutamato monossódico, açúcares artificiais e corantes artificiais durante uma semana. Esta é provavelmente a parte mais difícil do programa, porque este grupo inclui refrigerantes, a maioria das bebidas alcoólicas e lanches, mas é só por uma semana!
  8. Volta a consumir (se quiser) os alimentos acima, ainda com a separação de três dias entre eles.

As recomendações são de que você remova permanentemente os alimentos que causem sintomas como inchaço, dor nas articulações, confusão mental ou constipação intestinal. A teoria que existe por trás desse programa de alimentação é de que certos alimentos podem causar inflamação no intestino, nas articulações ou estômago. Ao adicionar um alimento de volta, caso você note que estes sintomas estão de volta, você terá identificado um ingrediente que não deve mais fazer parte da sua dieta.

Normalmente, leva-se pelo menos duas semanas para se notar qualquer diferença em relação a estes sintomas. Shah lembra que quanto maior for o período “de duas a três semanas”, melhores serão os resultados. “Se, depois do teste, você acha que pode ter uma alergia fatal ou se ainda estiver confuso, visite um alergista imediatamente. Mas se você for capaz de identificar os alimentos que lhe causam problemas desconfortáveis e simplesmente parar de ingeri-los, o seu corpo vai te agradecer prontamente”, explica a médica.

Fonte: http://hypescience.com/como-descobrir-quais-alimentos-estao-te-fazendo-mal/

Chupeta – o que toda mãe (e pai) deveria saber antes de oferecer uma para seu bebê


A CHUPETA
O que toda mãe (e pai) deveria saber antes de oferecer uma chupeta para o seu bebê. 

 

A oferta da chupeta se difundiu amplamente na sociedade contemporânea. Trouxe consigo conveniência e comodidade, “simplificando” a tarefa dos adultos em acalmar o bebê. Muitos não sabem ao certo se devem ou não oferecê-la. Desinformação, falta de tempo, busca por facilidades imediatas, desconexão com os próprios instintos da espécie e tantos outros motivos popularizaram o seu uso e fizeram com que formas naturais e gentis de lidar com o choro e as demandas do bebê fossem deixadas de lado. Assim, a necessidade básica de sucção no peito não é plenamente suprida, muito menos as necessidades psico-afetivas do bebê, como um ser humano complexo em formação. O motivo do choro que está sendo silenciado fica sem resposta. A chupeta acaba sendo uma solução mágica e instantânea, que se arrasta pela infância afora e, disfarçada de outras formas, chega até a vida adulta. Por isso, não se iluda! A chupeta não é inocente como parece. Efeitos colaterais advindos do seu uso existem, e aumentam em quantidade e gravidade ao longo do desenvolvimento infantil. Acompanhe, sob uma perspectiva baseada em evidências, as potenciais consequências relacionadas ao uso da chupeta.

  •  Interfere negativamente sobre a amamentação. Estudos mostram que crianças que desmamam precocemente usam chupeta com maior freqüência do que aquelas que são amamentadas por um período maior1,2. A confusão de bicos (fig. 1 e 2) descrita na literatura acontece porque a musculatura é trabalhada de forma completamente diferente durante a sucção do peito e da chupeta3 (Quadro 1 – APÊNDICE). A sucção de um bico artificial leva à perda da tonicidade e alteração da postura muscular (dos lábios e língua, principalmente), fazendo com que o bebê não consiga manter corretamente a pega do peito. Além disso, existem evidências de que chupar chupeta diminui a produção de leite, pois o bebê solicita menos o peito, causa ferimentos na mãe devido à pega errada, o que acaba interferindo até mesmo no seu ganho de peso. Não oferecer bicos artificiais e chupetas a crianças amamentadas é um dos Dez passos para o Sucesso do Aleitamento Materno recomendado pela Organização Mundial de Saúde, UNICEF e Ministério da Saúde4.
  • Prejudica a correta maturação funcional do sistema estomatognático (SE)*. Atrapalha na fala, mastigação, deglutição e respiração da criança3. Podem surgir deficiências de dicção, presença de sibilo/ceceio na fala, voz rouca e/ou anasalada. A mastigação perde sua característica normal bilateral e alternada, tendendo a vertical ou unilateral5, afetando diretamente as articulações têmporo-mandibulares e o desenvolvimento das estruturas envolvidas. Desenvolve-se potencialmente uma deglutição atípica, com interposição de língua e participação da musculatura peri-oral. O padrão respiratório se altera de nasal para bucal ou misto3, 5. Assim, existe um consenso na literatura científica de que hábitos de sucção não-nutritivos são potencialmente nocivos para a saúde da criança e que, por isso, devem ser desestimulados6 ou removidos o mais cedo possível no intuito de minimizar os danos7
  • Altera a postura e tonicidade dos músculos da boca: o lábio superior fica encurtado, o lábio inferior fica flácido e evertido (virado para fora), ocorre a perda do selamento labial passivo (sem esforço), a pele do queixo pode ficar enrugada (refletindo o esforço do músculo mentalis para auxiliar no vedamento labial), as bochechas ficam hiper/hipotonificadas e caídas (de acordo com a forma que a criança adapta a sucção) e a língua perde a tonicidade, ficando numa posição baixa e retruída dentro da cavidade bucal (fig. 3), alterando toda a fisiologia do SE*.
  • Causa deformações esqueléticas na boca e na face: Os ossos da face crescem de forma desarmônica, com alterações e rotações dos planos de crescimento (fig. 4)3. As arcadas e os ossos nasais sofrem atresias (estreitamento) e desvios (desvio de septo) prejudicando tb as funções de deglutição, mastigação, fala e respiração (fig. 5 – 6) e se tornando um obstáculo mecânico à cura de uma série de patologias (especialmente, as “ites” = rinite, sinusite, amigdalite, bronquite, otite, adenóides hipertróficas, etc…). A mandíbula mantém a posição retruída do nascimento, isto é, o queixo não cresce, prejudicando a estética e a fisiologia (fig. 7).
  • Provoca maloclusão dentária. Mordidas abertas, mordidas cruzadas (fig. 8), maloclusão de Classe II, overjet acentuado (fig. 9) e outras alterações nos dentes são associadas ao uso de bicos artificiais. Crianças com hábitos de sucção não-nutritiva apresentam 12 vezes mais chance de desenvolver problemas oclusais do que crianças sem hábito8. Mais de 70% das crianças que possuem hábitos de sucção não-nutritiva apresentam algum tipo de maloclusão9.
  • Não existem no mercado bicos anatomicamente comparáveis ao bico do peito: Em relação ao mamilo, os bicos de borracha apresentam diferenças significativas em sua textura, forma, no trabalho que realizam e nas consequências desse trabalho3. Já foi demonstrado em estudo realizado com diferentes marcas comerciais disponíveis no mercado que bicos artificiais são significativamente menos elásticos do que o bico do peito, e que o seu comprimento pouco se altera dentro da cavidade bucal, de forma que é a boca que se molda a ele, e não o oposto como ocorre no caso do bico do peito (fig. 9 – 11). O bico do peito tem a capacidade de distender-se´ dentro da boca (protractibilidade) até 3 vezes o seu comprimento inicial, enquanto o bico de borracha pouco se altera10.
  • A chupeta não é menos nociva do que o dedo: Dados epidemiológicos mostram que apenas 10% das crianças chupam o dedo prolongadamente9, 11, enquanto 60 a 82% 8, 9, 11,, chupam chupeta e 4,1% associam os dois hábitos 8. Ao contrário do que se costuma acreditar, os danos causados pela sucção prolongada de dedo ou de chupeta são bem semelhantes12, 13. A sucção do dedo, contudo, se assemelharia mais ao peito (fig. 12) por ser intracorpórea, ter calor, odor e consistência mais parecidos com o do mamilo e pelo fato de ficar praticamente na mesma posição do bico do peito dentro da cavidade bucal (próximo ao ponto de sucção, no fundo da boca). A língua vem para a frente durante a sua sucção, como acontece com o mamilo na ordenha do peito materno e o padrão de respiração nasal é mantido14. Por tudo isso, a orientação de substituir o dedo pela chupeta não faz sentido. O bebê chupa o dedo desde a barriga15 (fig. 13) e, durante o seu desenvolvimento, especialmente nos períodos de desconforto e irritação provocados pela erupção dentária (que inicia a partir dos 4-6 meses até em torno dos 3 anos, quando a dentição decídua está completa), é normal que ele leve um ou mais dedos à boca. Nessa fase devemos proporcionar variedade de estímulos, como alimentos de consistência dura, mordedores, além de brincadeiras diversas, atenção, carinho, paciência e peito; a fim de que o hábito cesse espontaneamente. A persistência da sucção de dedo não é freqüente em crianças bem amamentadas 5,16. Mais de 80% das crianças que recebem aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida não apresentam hábitos11, 17.
  • Os bicos ortodônticos prejudicam mais no aspecto funcional do que os convencionais: Não existem evidências que comprovem substancialmente a existência de vantagens reais nos bicos anatômicos ou ortodônticos18. Embora sejam potencialmente menos nocivos em relação às alterações dentárias, chupetas ortodônticas mantêm o dorso ainda mais elevado e a ponta da língua ainda mais baixa e mais posteriorizada do que o bico comum (Fig. 14 a 16)3. Produzem mais movimentos incorretos com a língua, a deglutição é deflagrada mais tardiamente e existe um maior esforço e pressão negativa formada durante a sucção19.

 

  • Representa uma das causas da Síndrome do Respirador Bucal: Quando a criança respira pela boca pode ter o seu desenvolvimento comprometido (fig. 17) pelas inúmeras consequências que isso acarreta ao organismo como um todo. O ar inspirado pela boca não sofre o processo de filtragem, aquecimento e umedecimento fisiológicos, deixando o sistema respiratório mais vulnerável a doenças em geral. A respiração bucal ainda acarreta uma gama de alterações físicas (patologias respiratórias [fig. 18], problemas nutricionais e de crescimento, alterações fonoaudiológicas, do sono [ronco, apnéia, pesadelos, terror noturno, enurese noturna/xixi na cama, bruxismo] maloclusão e problemas orto-ortopédicos, posturais (fig. 19), comportamentais e emocionais (problemas de aprendizado, distúrbios de ansiedade, impulsividade, fobias, agitação, cansaço e hiperatividade, baixa auto-estima)3, 20.

 

  • Cria-se um hábito de difícil remoção: A sucção não-nutritiva não é um sintoma único e isolado, mas, ao contrário, pode ser um entre vários sintomas relacionados a conflitos de instabilidade emocional com raízes em situações anteriores21, como, por exemplo, a não satisfação plena da necessidade básica do bebê de mamar no peito3, 5, 16. A remoção repentina ou abrupta da chupeta pode gerar efeitos psicológicos complexos e difíceis de mensurar e pode levar à substituição por hábitos de sucção de dedo, lábio, língua, onicofagia (roer unhas) ou outros. Esses hábitos podem ser substituídos ao longo da vida por comer, fumar ou outros transtornos compulsivos, segundo a teoria psicanalítica (freudiana)3, 7.
  • Seus efeitos podem ser observados desde cedo: A idéia de que se a chupeta fosse removida até uma certa idade (1, 2, 3 anos, variando entre diferentes autores) não traria prejuízos à criança se propagou advinda de uma prática clínica centrada no dente (visão odontocêntrica), onde era possível observar a autocorreção de alguns tipos de maloclusão como a mordida aberta anterior a partir da descontinuidade do hábito. A evolução do conhecimento, entretanto, vem demonstrando que seus efeitos sobre ossos e músculos (bem como suas repercussões funcionais) são muito difíceis de reverter sem intervenção profissional multidisciplinar . Além do mais, o primeiro ano de vida do bebê é um período crítico para o seu desenvolvimento, de metabolismo ósseo acelerado e aprendizado/maturação de funções vitais, o que torna a presença de estímulos patológicos ainda mais agressiva. Na imagem abaixo, observamos um bebê de 4 meses que ainda não tem dentes, mas já sofre as conseqüências do hábito de sucção: perda do selamento dos lábios, postura de língua baixa, estreitamento da base do nariz, etc… Tudo isso vai afetar de alguma forma o seu padrão de crescimento e desenvolvimento.
  • “Chupetar” peito não existe! O termo “chupetar” deveria se referir exclusivamente à chupeta, onde o bebê realiza uma sucção não-nutritiva simplória. Dizer que o bebê está fazendo o peito de chupeta (“chupetando”), quando na verdade ele está mamando constitui um erro semântico; já que mamar constitui um ato complexo que envolve, não apenas extrair o leite, mas também sugar, estar em contato íntimo com a mãe, e sentir todas as sensações orgânicas e psico-afetivas envolvidas, com suas respectivas repercussões. Como poderia o bebê fazer o peito de chupeta se este tipo de artifício não é natural para ele e não lhe proporciona toda essa riqueza de estímulos? Bicios artificiais, muito pelo contrário, representam um estímulo de sucção patológica. O que sua memória instintiva, seu impulso pela sobrevivência reclama e pede é o peito da mãe, fisiológico, e não a chupeta. Tanto é que a maioria das crianças só aceita a chupeta após muita insistência dos adultos. Argumenta-se que alguns bebês teriam uma necessidade maior de sucção e que, após satisfazerem sua fome, ficariam no peito apenas “chupetando”, sugando, mesmo sem leite. O que acontece é que existem fases do desenvolvimento (saltos e picos de crescimento22) onde a demanda aumenta repentinamente e o peito necessita receber mais estímulo para ajustar a produção. Todo bebê esperto sabe muito bem que mamar faz a produção de leite aumentar. Além disso, ele está ao mesmo tempo satisfazendo sua necessidade neural de sucção3, 5. Você já deve ter ouvido aquela famosa frase: “a natureza é sábia!”, não é mesmo? Pois é.
  • A chupeta como prevenção para a Síndrome da Morte Súbita Infantil: Nos últimos anos a chupeta tem sido recomendada para reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita no Infantil (SMSI)23. Diante desta recomendação, é importante assinalar a existência de muitas evidências, como por exemplo um estudo caso-controle com 333 lactentes com diagnóstico de SMSI e 998 crianças hígidas, o qual apontou que a amamentação reduz o risco de morte súbita em 50% em todas as idades24. Como a chupeta favorece o desmame, deve-se reconsiderar o incentivo do seu uso para esse fim, pois benefícios maiores podem ser obtidos com a amamentação6.
  • Considerações sobre a toxicidade e segurança da chupeta: Durante o processamento da borracha natural e a criação da sintética, várias substâncias são adicionadas ao látex com o intuito de conferir maior elasticidade25. Em contato com a saliva, esses produtos se volatilizam, trazendo riscos à saúde; além da possibilidade de existirem crianças alérgicas ao látex26. Como qualquer outro objeto levado à boca, a chupeta pode servir de veículo para infecções diversas (otite, candidíase, cáries, etc)27. Outros riscos potenciais são o de acidentes, obstrução das vias aéreas e estrangulamento por cordas amarradas na chupeta.
  • A chupeta e o refluxo gastro-esofágico: O uso da chupeta foi aventado como método capaz de reduzir o refluxo gastro-esofágico. No entanto, revisão sistemática não encontrou evidência de que ela melhore o tempo total e/ou diminua o número de episódios de refluxo28.
  • A necessidade de sucção do bebê deve ser suprida no peito: Crianças que nunca mamaram no peito ou que tiveram aleitamento misto antes dos três meses de idade têm aproximadamente sete vezes mais chance de desenvolver hábitos de sucção não-nutritivos do que crianças amamentadas por mais tempo8. Desde a vida intra-uterina o bebê apresenta um impulso neural de sucção15. Ele começa satisfazendo esse impulso com o próprio dedo e ao mesmo tempo vai desenvolvendo a função da sucção, crítica para sua sobrevivência após o nascimento durante a amamentação. Se o bebê for amamentado e não houver interferências negativas, o próprio desenvolvimento e amadurecimento neuro-funcional se encarregará de fazer com que a necessidade neural de sucção se esgote espontaneamente em torno do final da fase oral. Portanto, nada substitui o ato de mamar no peito, pelo aporte nutricional e imunológico do leite materno, pela troca de afetividade entre mãe e filho e pelo mecanismo de sucção exclusiva que este propicia para um perfeito desenvolvimento29. A amamentação é primária na prevenção em saúde e no funcionamento pleno das potencialidades vitais da criança, refletindo diretamente sobre a sua qualidade de vida. A amamentação deve ser realizada de forma exclusiva até os 6 meses e continuada até os 2 anos de idade ou mais30, 31! A decisão de introduzir ou não chupeta é da família. Mas cabe aos profissionais oferecerem aos pais subsídios para que tomem uma decisão consciente e informada a esse respeito.
*Sistema Estomatognático (SE) = caracteriza-se pela existência de um conjunto de estruturas que desenvolvem funções comuns, tendo como manifestação conspícua e básica a participação da mandíbula. Como todo sistema, tem características que lhe são próprias, embora esteja intimamente ligado à função de outros sistemas – o nervoso e o somato-esquelético, em particular, e todos em geral32.
APÊNDICE:
O quadro 1 compara a atividade e os desvios funcionais dos músculos envolvidos na amamentação e no aleitamento artifical com bicos comuns e ortodônticos (CARVALHO, 2010).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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materno-infantis”. Uma declaração conjunta OMS/UNICEF, Genebra, 1989.
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8. SOUZA, D.F.R.K. et al. Relação clínica entre hábitos de sucção, má oclusão, aleitamento e grau de informação prévia das mães. Rev Dent Press Ortodon Ortop Facial, v. 11, n. 6, 2006.
9. SILVA FILHO, O.G. et al. Hábitos de sucção e má oclusão: epidemiologia na dentadura decídua. Rev Clin Ortodon Dental Press, v. 2, n. 5, p. 57-74, 2003.
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12. CHRISTENSEN, j., FIELDS, H. Hábitos bucais. In: PINKHAM, JR. Odontopediatria da Infância à Adolescência. 2ª. Ed. São Paulo: Artes Médicas, p. 400-7, 1996.
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32. DOUGLAS, CR. Patofisiologia Oral. São Paulo, Pancast, 1998
Autoria: Andréia Stankiewicz, mãe de Luiza, 3 anos e Pedro, 1 ano; cirurgiã-dentista especialista em odontopediatria e ortopedia funcional dos maxilares, membro do Núcleo de Estudos em Ortopedia dos Maxilares e Respiração Bucal (NEOM-RB).
Revisão final: Antonio Fagnani Filho, cirurgião-dentista ortopedista funcional dos maxilares, ortodontista e homeopata, professor de pós-graduação, membro do Núcleo de Estudos em Ortopedia dos Maxilares e Respiração Bucal (NEOM-RB) e da Associação Brasileira Do Sono.
ceoandreia@hotmail.com
fagnani@vivavita.com.br
Fonte: http://comunidadeams.wordpress.com/2013/11/06/chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria-saber-antes-de-oferecer-uma-para-seu-bebe/#

O dilema da lancheira!


Coloque na lancheira do seu filho lanches saudáveis e frutas

Informações advindas de Juliana Amaral, nutricionista formada pela PUCCAMP e pós-graduada em Terapia Nutricional pela UFSC.

Com essas explicações vai ficar muito mais fácil montar uma lancheira gostosa e saudável! Seu filho vai adorar!

1. Como mandar frutas na lancheira?

O ideal seria enviá-las inteiras, já que após cortadas elas sofrem oxidação e ocorre diminuição do teor de vitaminas. Mas se você percebe que seu filho não come a fruta inteira e que ela sempre volta para casa, vale colocá-las já cortadas em um palitinho de frutas ou em potinhos, de preferência térmicos e escuros, para evitar a perda de nutrientes, já que a luz e o calor aceleram a oxidação: melancia, melão, mamão, carambola, morango, uva, um mix de frutas vermelhas (morango, mirtilo, framboesa, cereja), salada de fruta, etc. Bom, a variedade é imensa e pode ser adequada a região onde você mora e a época do ano. Seja criativo e evite enviar sempre as mesmas para que ele não enjoe. Lembre-se de estimulá-lo em casa também. De nada adianta você enviar frutas para a escola se em casa ele não come!

2. O bolo é um bom lanche?
Quer mandar um bolinho para ele? Então faça o bolo em casa, sem conservantes e com ingredientes de qualidade. Os bolinhos industrializados, embora sejam práticos, carregam enormes quantidades de gordura e açúcar. O bolo deve ser simples, sem recheio ou cobertura e se possível inclua ingredientes que o tornem mais nutritivos, como farinha integral, chia, aveia, etc. Podem ser feitos também muffins integrais, cookies de aveia, etc.

3. Bisnaguinha pode?
A” inocente” bisnaguinha é o lanche que as crianças mais levam, em média são três unidades. Nelas têm mais gordura do que o dobro de gordura dos pães de forma tradicional e ainda faltam fibras. Já a versão com fibras (integral) tem muito mais sal. Por isso, ter mais atenção na hora de montar a lancheira e ler o rótulo daquele alimento que você irá colocar para o lanche é fundamental. O ideal seria fazer o pão caseiro, da mesma forma que o bolo, e ter os mesmo cuidados. Mas se isso não for possível, prefira os pães realmente integrais e para você saber quais são eles, você precisará ler o rótulo. Na lista de ingredientes fique atento ao primeiro que aparece, se for farinha de trigo integral, ok!

4. O que devo colocar de recheio no sanduíche?
Procure pelo menos intercalar o requeijão, queijo, manteiga com pastinhas caseiras ou geléia de fruta, de preferência caseira e sem açúcar. Pasta de ricota com chia, pasta de grão-de-bico, patê de tofu, pasta de cenoura, etc.

5. Que suco é o melhor?
O ideal é o suco natural feito perto da hora de ir para a escola, acondicionado em garrafa térmica, escura e bem vedada, para evitar a oxidação e perda dos nutrientes. Suco de acerola, melão, abacaxi e maracujá sofrem menos oxidação e por isso não alteram o sabor em até 6 horas. Mas se não for possível, opte pelo suco de uva integral, água de coco ou pelas versões industrializadas mais saudáveis.

6. O iogurte é uma boa opção?
A lancheira deve ser preferencialmente térmica e o iogurte pode acompanhar granola, aveia, geléia de fruta caseira e sem açúcar, frutas como mirtilo, etc.

7. O que posso mandar nos dias em que estiver sem tempo de ir para a cozinha?
Uma opção de acompanhamento são as barrinhas de cereal, mas lembre-se que existem versões no mercado nada saudáveis! Além de calóricas, possuem óleos hidrogenados, gordura saturada e açúcar. Os pacotinhos de frutas desidratas também são boas opções para acompanhamento, assim como uma porção de Mix de castanhas.

Fonte: http://br.mulher.yahoo.com/blogs/mae-salto-alto/o-dilema-da-lancheira-113315878.html

Alimentos que você não deve apresentar para o seu filho


Pediatras aconselham aos pais não darem chocolate às crianças nos primeiros tempos.

Yahoo Brasil/Getty Images – Pediatras aconselham aos pais não darem chocolate às crianças nos primeiros tempos.

 

Mamães e papais recentes costumam exercer – na rotina de cuidados com o bebê – aquele papel norteador de apresentar o mundo aos pequenos. E os momentos e hábitos alimentares são ingredientes fundamentais nesse “menu de cuidados”.

Na realidade, a prática de uma alimentação saudável deve ter início nos primeiros tempos da criança. Não que o sabor das guloseimas deva ser negado o tempo todo, mas é importante que sejam estabelecidos critérios para as refeições. Afinal, hábitos bons e ruins formam-se desde cedo. E se a mamãe, ainda na infância, conseguir estimular a criança a sabores saudáveis, com os nutrientes necessários ao organismo e livres de aditivos potencialmente nocivos, obedecendo-se naturalmente a necessidades e exigências de cada fase, tudo ficará mais fácil depois, com riscos menores de problemas futuros, como obesidade, hipertensão e outros, decorrentes de uma alimentação indevida.

Conselhos dos pediatras
Para ajudar a esclarecer as mamães-leitoras sobre alimentos adequados e, principalmente, sobre aqueles que devem ficar fora do cardápio – pelo menos em algumas etapas da infância – consultamos dois pediatras. Daniel Becker, por exemplo, que atua com seus pacientes mirins há 25 anos, acredita que não devam existir proibições absolutas, “excetuando-se os casos específicos de intolerâncias e alergias (que são individuais)”, ele destaca. Becker detalha: “Existem, na verdade, recomendações sobre o que é e o que não é saudável. E aí entra o bom senso pra saber oferecer certos alimentos em situações de exceção, de saída da rotina, alimentos que alegram e colorem a vida. Por exemplo, o sorvete não deve ser parte da rotina alimentar de uma criança, mas não dar sorvete numa festa ou num passeio de fim de semana seria um pecado”.

Alimentos que devem ser evitados
O pediatra alerta sobre os perigos que podem decorrer da má condução da alimentação infantil. Ele conta que, no consultório, faz frequentes ressalvas contra alimentos industrializados, por exemplo. Isso porque estes vêm, quase sempre, com conservantes químicos, saborizantes e muito açúcar – o grande vilão neste caso. Becker explica que essa quantidade de açúcar é muito maior do que a normalmente usada em casa. O pediatra cita vários alimentos sabidamente nocivos:

– cereais processados (flocos de milho e farinhas de bebê);
– refrigerantes;
– salgadinhos, batatas fritas de saquinho – repletos de sal e monoglutamato de sódio, além dos carboidratos ultraprocessados;
– geleia de mocotó e gelatina (“açúcar e tinta, para quê?”);
– molhos industriais;
– embutidos, carnes processadas.

Sobre os refrigerantes, Daniel Becker ressalta que devem ser evitados a todo custo, já que são apenas “calorias vazias e cheias de química”. Quanto aos salgadinhos e às batatas fritas de saquinho, ele levanta a questão da formação do hábito alimentar, já que costumam provocar uma reação negativa na criança: ela passa a desejá-los e a não aceitar mais comida natural. Becker lembra, ainda, o “fantasma colorido” do fast-food. E completa: “Muitas calorias, muitos aditivos químicos, muito sofrimento animal para engordar seus filhos. Não podemos oferecer coisa melhor? Em vez de uma ida ao fast-food, por que não um piquenique no parque? Aposto que vai ser muito mais divertido, extremamente saudável e mais inesquecível”.

O médico também destaca os alimentos duros e pequenos – e de difícil mastigação – que, para evitar os engasgos, não devem ser dados às crianças: passas, balinhas e pipocas, por exemplo (são perigosos até os três anos).

O incentivo a uma alimentação saudável
A pediatra Thatiane Mahet, por sua vez, fala sobre a oferta de alimentos tendo como parâmetro a idade da criança. Ela especifica que até os 6 meses a alimentação deve ser composta apenas pelo leite materno, lembrando que em tal fase outros alimentos podem fazer mal ao bebê, como os tradicionais chás, passíveis de provocar diarreia e, ainda, leite de vaca in natura.

A médica indica o que deve fazer parte da alimentação complementar aos 6 meses: frutas, legumes, verduras, carboidratos (arroz, macarrão, batata) e leguminosas (feijão, por exemplo).

Mais alertas
Thatiane Mahet também ressalta que, nessa fase, devem ser evitadas frituras (todos os alimentos devem ser cozidos ou assados), já que estas são grandes fontes calóricas e sua ingestão sem moderação pode levar a uma obesidade precoce. A pediatra ressalta aí que o acúmulo desta gordura em vasos do corpo pode, inclusive, aumentar o risco de acidentes vasculares na fase adulta.

O “petit suisse cor-de-rosa” faz mal?
E a médica faz o grande alerta dos pediatras para esse período: a contraindicação para a ingestão de açúcares. Thatiane Mahet aconselha aos pais não darem chocolate, por exemplo, às crianças nos primeiros tempos. Ela destaca a sua ação nociva, devido ao excesso de calorias e à alta concentração de açúcar para uma criança antes de 1 ano. A pediatra lembra, ainda, o fato de alguns chocolates terem em sua constituição leite de vaca in natura, que, rigorosamente, não deve entrar na dieta do bebê no primeiro ano. Pelo mesmo motivo – e por conter muitas calorias para tolerância em certa fase -, a médica desaconselha a oferta do “queridinho das crianças” petit suisse com polpa de frutas antes de 2-3 anos.

Substituição de alimentos nocivos por opções saudáveis
Thatiane acredita que a melhor substituição se dê por meio de itens naturais semelhantes. Exemplificando: um refrigerante pode ser substituído por sucos de frutas ou mates (sendo que mates não devem ser oferecidos à criança antes de 2-3 anos); um doce pela fruta predileta da criança, e assim por diante. Ela sugere essa tática da troca como melhor alternativa para o caso. Como Daniel Becker, ela acredita que proibir algo aos pequenos nessa era globalizada, de tanta oferta e informação, não é uma boa ideia. E arremata: “A palavra-chave em alimentação infantil é equilíbrio. Todos os alimentos – com algumas exceções e respeitando-se as diferentes fases – podem ser oferecidos aos pequenos, desde que com moderação: uma criança de 4 anos, por exemplo, pode comer uma pizza ou um hambúrguer de vez em quando, porém sua alimentação nos outros dias precisa ser saudável”.

Fonte: http://br.mulher.yahoo.com/alimentos-que-voc-n-o-deve-apresentar-para-112700952.html

Grandes ganhos com pequena perda de peso


Em adolescentes, hormônio que controla o apetite pode voltar ao normal com uma redução de apenas 8% da massa corporal (foto: Léo Ramos/Revista Pesquisa FAPESP)

Por Carlos Fioravanti

Revista Pesquisa FAPESP – Em adolescentes, perder apenas 8% do excesso de peso, o equivalente a uma redução de 6 a 11 quilogramas (kg) da massa corporal, pode ser o bastante para desfazer as alterações metabólicas causadas pela obesidade, manter a fome sob controle e sair da faixa de risco para diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, que normalmente acompanham a obesidade. “Não é preciso perder 20 kg em pouco tempo, como normalmente se procura fazer, para evitar os problemas de saúde que se agravam com o excesso de peso”, diz Ana Dâmaso, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora do estudo interdisciplinar que levou a essas conclusões.

Durante um ano, médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e fisioterapeutas acompanharam 77 adolescentes de 14 a 19 anos e peso entre 101 e 120 kg, motivando-os a perderem peso gradativamente, por meio de exercícios físicos e da incorporação de uma dieta mais rica em verduras e frutas e de hábitos de vida mais saudáveis, como dormir mais cedo e pelo menos oito horas, em vez de passar a noite na internet comendo batatinhas fritas.

Outros estudos já haviam associado a obesidade a riscos crescentes de diabetes tipo 2, hipertensão, câncer, problemas nos rins, no pâncreas e no fígado, além de dificuldade para dormir, e detectado que uma perda de 5 kg de peso reduzia à metade o risco de diabetes. Agora, com esses novos estudos, começa a ser definido um valor de redução de peso – a ser confirmado ou ajustado por outros estudos – necessário para recolocar o organismo em ordem. Os avanços são relevantes porque os adolescentes representam um grupo de risco para problemas de saúde: estima-se que a prevalência de sobrepeso entre adolescentes no Brasil tenha triplicado – passou de 4% para 13% – na última década.

De acordo com o Ministério da Saúde, 20% dos adolescentes e 48% da população estão acima do peso recomendado para a idade e a altura. “Quanto mais cedo trabalharmos com adolescentes obesos e propusermos mudanças no estilo de vida, menor será a carga de doenças crônicas entre adultos e menores os gastos do sistema público de saúde”, diz Danielle Caranti, que durante o doutorado trabalhou com adolescentes obesos em um hospital de doenças metabólicas da Itália antes de começar com adultos na Unifesp em Santos em 2010.

Adultos obesos provavelmente terão de perder mais peso do que os adolescentes para desfazer as alterações metabólicas causadas pela obesidade. De acordo com um estudo em andamento com 43 pessoas com idade entre 21 e 60 anos na Unifesp de Santos, os níveis de hormônios que controlam o apetite e os processos inflamatórios decorrentes do excesso de peso podem estar até três vezes acima do normal, desse modo exigindo mais esforço e tempo para voltarem aos níveis considerados saudáveis.

Segundo Danielle Caranti, coordenadora dessa pesquisa, os resultados preliminares indicaram que, em adultos, a redução mínima de massa corporal necessária para normalizar os níveis dos principais hormônios ligados à obesidade parece ser da ordem de 10% a 20% – e só se chega a esse valor após pelo menos um ano de exercícios físicos e ajustes na dieta e no estilo de vida.

Um estudo recente do grupo de Mario Saad na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) indicou que, em camundongos, a prática de exercícios físicos, além de queimar calorias, como já se sabia, ajuda a reduzir a inflamação nos neurônios do hipotálamo, a região do cérebro que regula a fome, e a restabelecer a saciedade (ver Pesquisa FAPESP nº 173).

Esses trabalhos indicam que é importante perder peso gradativamente, para dar tempo para o organismo restabelecer o equilíbrio perdido, em vez de emagrecer muito de um fôlego só. “Quando se emagrece muito rapidamente, a gordura do abdômen tende a ir para o fígado e para o coração”, diz Ana Dâmaso. Para evitar a euforia de perder peso rapidamente e recuperar tudo em seguida, os pesquisadores propunham aos adolescentes a meta de perder 0,5 a 1,5 kg por semana – alguns, após um ano de tratamento, perderam até 22 kg.

Outra conclusão, já adotada por outros grupos de pesquisa, é que a obesidade deve ser vista como uma doença crônica multicausal e, portanto, precisa ser tratada de modo integrado. Tanto os adolescentes quanto os adultos submeteram-se a uma terapia interdisciplinar de redução de peso que Ana Dâmaso conheceu na Alemanha em 2002 e implantou na Unifesp dois anos depois.

Nos últimos anos, essa abordagem tem sido aplicada e avaliada por outros grupos de pesquisa do Paraná, Pernambuco e São Paulo, com duração variável de 3 a 12 meses. Por meio dessa estratégia, médicos, educadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas adotam os mesmos objetivos e propõem mudanças no estilo de vida para adolescentes e adultos.

“Temos de atacar a obesidade em várias frentes, ao mesmo tempo”, diz Danielle Caranti. Em princípio, é mais fácil emagrecer quando adolescente, embora adultos obesos também consigam mudar de hábitos. Joana Ferreira, do grupo da Unifesp, verificou que o consumo médio diário de calorias em um grupo de 49 adultos obesos passou de 2.195 quilocalorias (kcal) para 1.603 kcal, e a compulsão alimentar caiu de 23,8% para 4,8% entre os obesos moderados e de 9,5% para 0% entre os obesos severos, do início ao fim de um tratamento de seis meses.

Leia a reportagem completa em http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/07/12/grandes-ganhos-com-pequena-perda-de-peso/

Fonte: http://agencia.fapesp.br/17550