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“Jornada da vida” mostra como era o Brasil antes do descobrimento


Abaixo link para assistir “Jornada da vida”, que passou domingo 14/12/2014 no Fantástico. Essa reportagem apresenta descobertas em Lagoa Santa – MG e Serra da Capivara – PI.  Fala sobre a ocupação humana na Terra e, principalmente, no Brasil.

Brasil antes do descobrimento

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Quando o sexo começou a existir?


Sex? It all started 385 million years ago

A resposta é incrivelmente antiga: 385 milhões de anos atrás.

A ciência se intriga com o ato sexual há muito tempo. Enquanto algumas espécies são capazes de se reproduzir sozinhas, outras precisam de um companheiro e do sexo para ter descendentes.

Por quê? Não seria mais fácil para a sobrevivência da espécie se todo mundo pudesse ter filho sem depender de mais nada ou ninguém?
Enquanto essa questão continua a ser complexa demais para ter uma resposta simples, pesquisadores finalmente parecem ter descoberto quando na história o sexo começou a existir (embora não fosse exatamente como o praticamos hoje).

Cerca de 385 milhões de anos atrás, nossos ancestrais muito distantes, peixes chamados de placodermos, desenvolveram pela primeira vez a arte da relação sexual (calma, não estamos insinuando que os humanos vieram diretamente de peixes. Esse é apenas um animal primitivo que evoluiu para outros carregando essa característica do sexo, que finalmente chegou até nós).

Sabia-se que placodermos eram os mais antigos e primitivos precursores dos vertebrados conhecidos. Agora, eles têm um lugar ainda mais honroso no livro da vida.

A descoberta

Microbrachius dicki, uma espécie de placordermo, é primeira conhecida a copular. Ou seja, esse foi o primeiro animal, de que temos conhecimento, que realizou fertilização interna.

Com aproximadamente oito centímetros de comprimento, o peixe vivia em habitats na atual Escócia, onde o primeiro espécime foi encontrado em 1888, na Estônia e na China.

Os machos tinham membros genitais ósseos em forma de L que transferiam esperma para dentro da fêmea. O casal se emparelhava para juntar seus órgãos masculino e feminino, a fim de copular.

Microbrachius significa ‘bracinhos’, mas os cientistas têm confundido durante séculos para que serviam esses braços ósseos “, disse John Long, professor de paleontologia da Universidade Flinders, em Adelaide, na Austrália. “Nós resolvemos este grande mistério: eles estavam lá para o acasalamento, para que o macho pudesse posicionar seu órgão na área genital feminina”.

Segundo Long, com os “braços” interligados, estes peixes mais pareciam estar dançando do que acasalando.

Um placodermo que vive em muitos animais

Até agora, pensava-se que a fertilização interna tinha ocorrido pela primeira vez muito mais tarde na história evolutiva dos vertebrados.

Os placodermos foram extintos cerca de 360 milhões de anos atrás. As criaturas tinham características como mandíbulas, dentes e membros que são vistos até hoje em répteis, aves e mamíferos, incluindo seres humanos.

Se o novo estudo estiver certo, então, até os braços ósseos do peixe representam características importantíssimas presentes nos animais atuais. Tudo indica que, ao longo de centenas de milhões de anos, tais “bracinhos” evoluíram para o pênis.

Fonte: http://hypescience.com/quando-o-sexo-comecou-existir/

Maior ave que já existiu tinha o tamanho de uma girafa


Os restos fossilizados da maior ave voadora que já existiu foram encontrados na Carolina do Sul, nos EUA.

A criatura era semelhante a uma gaivota gigante, com envergadura entre 6,1 e 7,4 metros.

Artist impression of Pelagornis sandersi

 

O fóssil de 25 milhões de anos foi descoberto há 30 anos, mas só agora os pesquisadores identificaram que se trata de uma nova espécie.

Daniel Ksepka, curador de ciência no Museu Bruce, em Connecticut (EUA), disse: “Este fóssil é notável tanto pelo tamanho quanto pela preservação. O crânio, em particular, é primoroso. E, dada a natureza delicada dos ossos, é notável que a amostra chegou ao fundo do mar, foi enterrada sem ser destruída, fossilizada, e em seguida descoberta antes de ser erodida ou demolida”.

Os pesquisadores acreditam que este pássaro enorme supera o recorde anterior do Argentavis magnificens, que se assemelhava a um condor e vivia na América do Sul, com uma envergadura estimada de 5,7 a 6,1 metros. Esse pássaro habitou a Terra cerca de seis milhões de anos atrás.

O novo gigante recebeu o nome de Pelagornis sandersi. Os cientistas acreditam que a ave tinha o dobro do tamanho do albatroz-errante, a maior ave viva hoje.

E, como o albatroz, P. sandersi era uma ave marinha e passava a maior parte de seu tempo mergulhando no oceano a procura de peixes e lulas.

Enquanto modelos teóricos sugerem que seria complicado para uma ave deste tamanho voar batendo as asas, os pesquisadores acreditam que ela usava correntes de ar para subir acima do oceano.

Reconstruction of Pelagornis sandersi with a California Condor (lower left) and Royal Albatross (lower right) for scale

Suas asas longas, finas e leves e seus ossos ocos indicam que o pássaro era um poderoso planador. “Teria sido rápido e muito eficiente”, disse Ksepka. “Ele provavelmente poderia deslizar em velocidades acima de 10 metros por segundo, mais rápido do que o recorde mundial humano nos 100 metros”.

Em terra, porém, a ave era provavelmente muito menos graciosa. “As longas asas teriam complicado [uma caminhada] e ela provavelmente passava tão pouco tempo quanto possível no chão”, acredita Ksepka.

Outra dificuldade mostrada pelos modelos de computador é na decolagem. Em vez de apenas começar a bater as asas para voar, os cientistas pensam que P. sandersi tinha que descer gingando por uma encosta esperando pegar uma rajada de ar.

Aves enormes como esta foram comuns no passado, mas desapareceram cerca de três milhões de anos atrás. Ainda não sabemos por que foram extintas.

Fonte: http://hypescience.com/maior-ave-existiu/

Somos os mais fracos humanos que já habitaram a Terra


Como classe, somos os seres humanos mais fracos que já andaram no planeta. De acordo com uma nova pesquisa da Universidade de Cambridge (Reino Unido), a tecnologia pode ser a responsável por nos tornar mais lentos e fracos que todos os nossos antepassados.

Muitos aborígines australianos pré-históricos poderiam ultrapassar o recordista mundial Usain Bolt, nas condições atuais. Alguns tutsis, povo da Ruanda, já superaram o recorde mundial de salto em altura de 2,45 metros durante cerimônias de iniciação nas quais eles tinham que saltar pelo menos a sua própria altura para avançar para a idade adulta. Qualquer mulher Neandertal poderia ter ganhado uma queda de braço contra Arnold Schwarzenegger.

Por que somos tão fracos?

Segundo a pesquisadora Alison Macintosh, a evolução provocou mudanças na divisão do trabalho e na organização socioeconômica. Conforme homens e mulheres começaram a se especializar em determinadas tarefas e atividades, como o trabalho com metal e cerâmica, a produção agrícola e a criação de gado, isso afetou a mobilidade e força dos humanos modernos.

A pesquisa

Macintosh monitorou as alterações na estrutura óssea ao longo do tempo em esqueletos encontrados em cemitérios na Europa Central. O mais antigo datava de 5.300 aC e o mais recente de 850 dC.

A sua equipe chegou à conclusão de que os humanos modernos mostram um declínio na “mobilidade e resistência”, especialmente os homens.

A cientista descobriu que a mobilidade dos primeiros agricultores – 7.300 anos atrás – estava a nível de estudantes que são corredores profissionais hoje. Em pouco mais de três mil anos, nossa mobilidade foi reduzida para o nível de estudantes classificados como sedentários.

A teoria para explicar isso é que, com o tempo, nossos ossos da perna mudaram devido à atividade menos intensa.

“Ambos os sexos apresentaram uma queda em ântero-posterior, uma queda de fortalecimento do fêmur e da tíbia através do tempo, enquanto que a capacidade das tíbias masculinas de resistir à flexão, torção, compressão e caiu também”, disse Macintosh.

Ela acrescentou que, conforme os seres humanos fizeram a transição para a agricultura na Europa Central, a necessidade de viagens de longa distância e do trabalho físico pesado diminuiu. “À medida que as pessoas começaram a se especializar em outras tarefas, poucas estavam fazendo regularmente atividades que eram muito extenuantes para suas pernas”, afirma.

Os ossos das pernas das mulheres mostraram alguma evidência de mobilidade em declínio, mas essas tendências eram “inconsistentes”.

Ela acha que a variação pode ser devido ao fato de que as mulheres têm realizado mais “multitarefas” ao longo do tempo. Macintosh disse que havia evidência em dois dos mais antigos esqueletos femininos usados para análise de que elas realizaram tarefas com os dentes, o que significa que podem não ter feito trabalhos que requeriam ossos da perna mais fortes.

Perda explicável

De acordo com o Macintosh, os ossos são extremamente plásticos e respondem com uma rapidez surpreendente a mudanças.

Quando estão sob estresse, como longas caminhadas ou corridas, os ossos se tornam mais fortes, e fibras são adicionadas ou redistribuídas onde são mais precisas.

Macintosh afirma que, na Europa Central, a tecnologia e o aumento da especialização teve um grande impacto na nossa força nas pernas. “À medida que mais e mais pessoas começaram a fazer uma ampla variedade de atividades, menos pessoas precisaram ser altamente móveis, e com a inovação tecnológica, as tarefas fisicamente extenuantes foram provavelmente facilitadas”, disse. “O resultado global é uma redução na mobilidade da população como um todo, acompanhada por uma redução na força dos ossos dos membros inferiores”.

Os incríveis humanos do passado

Um novo livro, “Manthropology: The Science of the Inadequate Modern Male” (algo como “Homemtropologia: A Ciência do Inadequado Humano Moderno”, em tradução livre), escrito pelo antropólogo australiano Peter McAllister, concorda bastante com a pesquisa de Macintosh.

Na obra, McAllister fala sobre estudos que chegaram a conclusões sobre a velocidade de aborígines australianos 20.000 anos atrás, baseadas em um conjunto de pegadas de seis homens perseguindo uma presa. Uma análise levou os cientistas a estimar que os aborígenes corriam a uma velocidade de 37 quilômetros por hora por um lago lamacento. Bolt, por comparação, atingiu uma velocidade máxima de 42 quilômetros por hora durante seu recorde no 100 metros na Olimpíada de Pequim.

McAllister afirma que, com treinamento e sapatos modernos em uma faixa de corrida, os caçadores aborígines poderiam ter alcançado velocidades de 45 quilômetros por hora. “Se eles podem fazer 37 quilômetros por hora em terreno muito macio, suspeito que há uma forte probabilidade de que eles teriam superado Usain Bolt se tivessem todas as vantagens que ele tem hoje”, diz.

Aliás, essa é só uma evidência de pegadas fossilizadas, do que poderiam nem mesmo ser os mais rápidos caçadores aborígenes da época.
Passando para o salto em altura, McAllister afirma no livro que fotografias tiradas por um antropólogo alemão mostram jovens africanos saltando alturas de até 2,52 metros nos primeiros anos do século passado.

“Era um ritual de iniciação, todo mundo tinha que fazer isso. Eles tinham que ser capazes de saltar a sua própria altura para avançar para a masculinidade”, conta. “Era algo que eles faziam o tempo todo e tinham vidas muito ativas a partir de uma idade muito precoce. Eles desenvolveram habilidades fenomenais no salto”.

Além disso, McAllister escreve que uma mulher Neandertal tinha 10% mais massa muscular do que o homem europeu moderno. Se treinada corretamente, ela teria alcançado 90% do volume de Schwarzenegger em seu auge na década de 1970. “Mas, por causa da peculiaridade de sua fisiologia, com um braço inferior muito mais curto, ela iria ganhar dele à mesa sem nenhum problema”, explica.

Muitos outros exemplos são dados no “Manthropology”. Por exemplo, legiões romanas completavam mais de uma maratona e meia por dia transportando mais de metade do seu peso em equipamentos, enquanto Atenas teve 30.000 remadores que podiam superar as conquistas de todos os remadores modernos.

McAllister apoia a mesma teoria de Macintosh sobre o declínio humano. “Nós simplesmente não somos mais expostos às mesmas cargas ou desafios que as pessoas no passado antigo e mesmo no passado recente eram expostas. Mesmo nossos atletas de elite não chegam perto de replicar isso. Estamos tão inativos desde a revolução industrial que realmente retrocedemos em robustez”.

Quem foi o primeiro ser humano?


Você tem um pai e uma mãe, e todo mundo que você conhece também. Esses pais todos também pais, e assim por diante. Mas, incrivelmente, não foi sempre assim. Simplesmente, não existe o primeiro ser humano.

Baseados em fósseis recuperados ao longo da história, cientistas estimaram uma “linha do tempo” dos nossos ancestrais (curiosidade: se juntássemos todos os nossos ancestrais em uma pilha, ela seria duas vezes maior que o Everest, montanha mais alta da Terra).

Hoje, somos o que a ciência chama de “homem moderno”, ou Homo sapiens sapiens. 20 mil anos atrás, havia o homem mesolítico. Há 200.000 anos, havia o homem paleolítico (esses homens também eram do gêneroHomo, mas haviam outras espécies, como os Neandertais). Há 1,5 milhões de anos, tínhamos um hominídeo ainda mais primitivo, como oHomo erectus.

Porém, 25 milhões de anos atrás, já não temos mais um ser humano ou sequer um hominídeo; temos o Proconsul, um gênero de primatas parecidos com os atuais macacos que viveram na África.

Até aí, tudo bem. Só que, ainda mais longe, 75 milhões de anos atrás, aparece o nosso ancestral Plesiadapis, uma das mais antigas espécies de mamíferos aparentada aos primatas. Esse animal estava mais para esquilo do que algo parecido conosco. E, 160 milhões de anos para longe na nossa história, temos o Juramaia, um gênero extinto de mamífero euteriano (esse lembrava um musaranho).

E 300.000 anos atrás? Quem existia nessa época? O Hylonomus, o mais antigo réptil encontrado até hoje, anterior até mesmo aos dinossauros (mais tarde, esse lagarto primitivo se ramificou para os grandalhões protagonistas de clássicos como Jurrasic Park). Aliás, todos esses outros animais com quem temos uma “história conjunta” possuem suas próprias histórias, seus próprios “ramos” nessa árvore genealógica da vida.

Finalmente, 385.000 anos atrás, conhecemos o último de nossos ancestrais nessa retrospectiva, o Tiktaalik, gênero de peixes sarcopterígeos (que possuem barbatanas com músculo) extinto, com muitas características típicas de tetrápodes (animais de quatro patas). Ele provavelmente é um exemplo de antigas linhas de sarcopterígeos que desenvolveram adaptações a habitats pobres em oxigênio (talvez por conta de águas pouco profundas presentes no seu tempo), e que levaram à evolução dos primeiros anfíbios.

Ou seja, esses anfíbios se tornaram répteis, que depois viraram mamíferos, e primatas e hominídeos. E onde nós estamos? Quer dizer, onde se encontra o “primeiro ser humano”, o primeiro homem moderno, da mesma espécie que a gente, nessa lista?

Não há um.

Para os cientistas, é difícil dizer isso, afinal, todo Homo erectus teve paisHomo erectus e filhos Homo erectus, assim como os Tiktaalik, que vieram deTiktaalik e produziram Tiktaalik, e todas as outras espécies que mencionamos aqui.

Não é possível apontar o momento exato em que uma espécie surgiu, porque esse momento não existe. Para ter uma ideia do que estamos falando, pense no fato de que você era um bebê, e hoje é adulto. Não existe um único dia em que você foi dormir bebê, e acordou adulto (embora tenhamos essa impressão às vezes).

E, apesar de parecer um paradoxo não haver um primeiro ser humano, essa observação é na verdade uma das chaves para entender a evolução.

A evolução ocorre de maneira rápida e gradual e, como um filme rodando, muitas vezes a gente não consegue ver a mudança enquanto ela está ocorrendo. Mas, toda vez que encontramos um fóssil, é como uma captura de tela de um ponto no passado. Essas fotografias (frequentemente com vários frames faltando entre uma e outra) nos permitem ver pontos da história e nos forçam a reconstruir, baseados nelas, o filme todo. E que filme…

Fonte: http://hypescience.com/quem-foi-o-primeiro-ser-humano/

A origem dos olhos azuis


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Se você acha que os olhos azuis começaram a aparecer na época da idade média europeia, e que a intolerância à lactose é um mal do nosso tempo, está redondamente enganado. O gene para essas duas características é mais antigo do que eu, você e cientistas do mundo inteiro imaginavam.

O esqueleto de um homem espanhol da idade da pedra, com cerca de 7 mil anos, foi descoberto recentemente pela equipe internacional de pesquisadores do Instituto de Biociências Molecular da Universidade de Queensland (Austrália). Desde então, eles vêm desenvolvendo uma série de pesquisas com o objetivo de entender o impacto da evolução dos primeiros seres humanos caçadores para uma sociedade agrícola.

Segundo o professor Rick Sturm, um dos líderes da equipe que descobriu o esqueleto, os genes encontrados nele também deixaram boas dicas de como era a aparência dos homens da idade da pedra.

Ao analisar o genoma de um de seus dentes, os cientistas encontraram evidências incríveis: o homem tinha genes para pele e cabelo escuros, mas para olhos azuis. E como essa combinação de genes é única e não existe mais nos europeus hoje em dia, a conclusão é que o gene para olhos azuis pode ter se espalhado pela população europeia muito antes que o gene para pele clara.

E as descobertas não param por aí: uma equipe liderada por pesquisadores do Instituto de Biologia Evolutiva da Espanha e da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, também investigou genes associados à dieta e descobriu que esse caçador Mesolítico, de mais de 7 mil anos, carregava ainda o gene para intolerância à lactose.

Para quem não sabe, a intolerância à lactose consiste em uma incapacidade de digerir produtos lácteos como leite, queijo, manteiga, etc. Está cada vez mais presente na nossa sociedade, tanto que já chega a atingir até 70% dos brasileiros adultos.

Mas, como você pode ver, apesar de parecer um mal recente, o gene para a condição é de longa data.

Fonte: http://hypescience.com/olhos-azuis-e-intolerancia-a-lactose-sao-mais-antigos-do-que-voce-imagina/

Pegadas humanas de 900 mil anos são encontradas


Footprints

Em um descoberta rara e incrível, cientistas encontraram as primeiras evidências de pegadas humanas fora da África na costa de Norfolk, no leste da Inglaterra.

Elas são a mais antiga prova direta dos primeiros seres humanos conhecidos no norte da Europa. “A descoberta vai reescrever a nossa compreensão da ocupação humana no início da Grã-Bretanha e também da Europa”, explicou o Dr. Nick Ashton, do British Museum (Museu Britânico).

As pegadas possuem mais de 800.000 anos de idade, provavelmente 900.000, e foram encontradas nas margens do oceano em Happisburgh. As 49 marcas em uma rocha sedimentar macia foram identificadas pela primeira vez em maio do ano passado, durante uma maré baixa.

O mar agitado da região corroeu a praia e revelou uma série de depressões alongadas. Por conta da atividade intensa da maré, as marcas logo desapareceram, não muito tempo depois de terem sido encontradas. Mas, felizmente, uma equipe de pesquisa foi capaz de capturá-las em vídeos e imagens antes que elas fossem lavadas pela maré.
Footprints

O estudo

Os cientistas fizeram varreduras em 3D das pegadas durante duas semanas. Uma análise detalhada das imagens feita pela Dra. Isabelle De Groote, da Universidade Liverpool John Moores, confirmou que as cavidades eram de fato pegadas humanas, possivelmente de cinco pessoas, incluindo um homem adulto e algumas crianças.

Foi possível identificar o calcanhar e até mesmo os dedos em algumas das marcas, sendo que a maior pegada seria de um tamanho de sapato 40 no Brasil.

“Esta parece ter sido feita por um homem adulto com cerca de 1,75 metros de altura, e a menor parece de alguém com um metro. As outras pegadas poderiam vir de jovens do sexo masculino ou de mulheres. Elas parecem ser um grupo familiar movendo-se junto”, afirma a Dra. De Groote.

As pegadas estavam bastante próximas umas das outras, por isso os especialistas pensam que os humanos estavam andando, em vez de correndo.

A partir da análise das impressões, os pesquisadores acreditam que o grupo provavelmente estava indo em direção ao sul. Na época, a Grã-Bretanha estava ligada à Europa continental por terra e Happisburgh estava situada nas margens de um vasto estuário a vários quilômetros da costa.
Happisburgh
O estuário teria proporcionado uma rica variedade de plantas, algas, crustáceos e moluscos. Fósseis de mamute, uma espécie extinta de cavalo e formas primitivas de ratazanas também foram encontrados em Happisburgh. Os primeiros seres humanos também poderiam ter caçado ou cultivado rebanhos pela sua carne.

Conforme mais partes do litoral são erodidas, os cientistas esperam que mais pegadas sejam descobertas na região e possam nos dar uma noção maior de quem foram aqueles humanos.

História antiga

Ancestrais humanos primitivos começaram a aparecer na África há cerca de 4,4 milhões de anos e só deixaram o continente cerca de 1,8 milhões de anos atrás. Cientistas não creem que eles chegaram à Europa até cerca de 1 milhão de anos atrás.

Espécies extintas, como os Neandertais, apareceram pela primeira vez entre 400.000 e 600.000 anos atrás, enquanto os seres humanos modernos – Homo sapiens – começaram a emergir da África cerca de 125.000 anos atrás, mas não chegaram na Europa até cerca de 40.000 anos atrás.

As pegadas recém-descobertas podem ter pertencido a uma espécie conhecida como Homo antecessor – um hominídeo extinto que pode ter tido um ancestral comum com ambos seres humanos modernos e Neandertais, embora tais teorias ainda sejam altamente controversas.
Diagram of footprint scene
O antropólogo do Museu de História Natural de Londres Chris Stringer, que trabalhou na equipe que analisou as marcas, disse: “Os seres humanos que fizeram as pegadas em Happisburgh podem muito bem ter sido relacionados a povos semelhantes da antiguidade que viviam em Atapuerca, na Espanha, atribuídos às espécies Homo antecessor”.

Segundo o estudioso, essas pessoas tinham uma altura semelhante a nós e eram plenamente bípedes. Elas parecem ter se extinguido na Europa cerca de 600 mil anos atrás, e foram talvez substituídas pela espécie Homo heidelbergensis, que viveu no Reino Unido 500 mil anos atrás.

Esses seres humanos evoluíram para Neandertais cerca de 400.000 anos atrás. Os Neandertais, por sua vez, viveram na Grã-Bretanha de forma intermitente até cerca de 40.000 anos atrás, momento que coincidiu com a chegada de nossa espécie, Homo sapiens.

O futuro pode reservar mais

Descobertas como essa são muito raras. As pegadas de Happisburgh são as únicas desta época na Europa, e existem apenas três outros conjuntos de pegadas mais velhas no mundo, todos os quais estão na África – um conjunto é de 3,5 milhões de anos e fica na Tanzânia, e outro de 1,5 milhões de anos está localizado no Quênia.

“Esta descoberta nos dá provas ainda mais concretas de que havia pessoas [na Europa há quase um milhão de anos]”, disse Nick Ashton à BBC News. “E, se continuarmos procurando, vamos encontrar ainda mais evidência deles, espero que até mesmo fósseis humanos. Isso seria o meu sonho”.

Fonte: http://hypescience.com/pegadas-humanas-de-900-mil-anos-sao-encontradas/